Qui, 06 de Agosto de 2020
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Lindos casos do Chico



Atualizado em 09/08/2020

71- CASOS DE M. QUINTÃO 
 
Numa sexta-­feira do mês de maio de 1945, M. Quintão, na varanda de sua aprazível vivenda, no Méier, conversava animadamente com o confrade Meireles, quando sua cara companheira o chama para nivelar o piano, isto é, acertá­lo nos pisos.

Com o auxílio do irmão Meireles, pegou na alça do piano e, fazendo força para levantá­-lo, sentiu uma torção nos rins, sobrevindo­-lhe intensa dor que o obrigou a acamar­-se. 

O caso, que antes parecia sem importância, agravou­-se, impossibilitando­-o de ir à Casa de Ismael presidir à sessão pública das 19:30. D. Alzira, sua esposa, alvitrou que telegrafasse ao Chico respondendo-­lhe M. Quintão: 

— Não convém, isto vai alarmar e nada produzirá, de vez que, se for permitido, mesmo de longe ou daqui de perto, receberei o remédio de que careço. Esperemos até domingo, se não melhorar, escreveremos ao Chico. 

E, por intuição, foi medicando­-se.  Domingo, pela manhã, o correio traz uma carta.  Abrem-na.  É do Chico Xavier, com uma mensagem de Emmanuel, que logo de início, diz: 
— Antes de tudo, desejo identificar-­me, dizendo­l-he que, em verdade, o telegrama antes alarma e nada beneficia. Desde que sofreu o acidente, estamos medicando-­o. E continue tomando os remédios que, por via intuitiva, já lhe receitamos. 

Dias depois, o nosso caro irmão ficou restabelecido.  Procurou a mensagem para nos dar, mas não a encontrou.  Que pena!  Seria mais um clichê documentativo para o nosso Livro! 

Também, em começo de abril de 1947, o mesmo confrade sonha com a data de 18.  Constou esse sonho de seu magnífico livro CINZAS DE MEU CINZEIRO.

Depois de várias considerações sobre sonhos, disse­nos: 
— Despertei alta noite, a tracejar uma folha de calendário do ano de 1947. Era uma dessas folhinhas de parede, modelo comercial, que eu esboçava com requintes de meticulosidade, à tinta encarnada, assim: 1947, 18 de abril, sexta-­feira.

E a impressão era tão viva que não resisti ao desejo de grafá-­la imediatamente no meu calepino; nem sopitava a freima de transmiti­-la aos confrades mais íntimos. E não faltou quem sorrisse de minha puerilidade.

“Ora para que havia de dar o Quintão no crepúsculo da vida!”
Um houve, que identificou a efeméride com a primeira edição de O LIVRO DOS ESPÍRITOS: em outros eu pressentia o palpite piedoso da minha desencarnação. Em matéria de sonhos o campo é livre e infinito, e como lá diz:
— “O melhor da festa é esperar por ela”, a festa veio no dia 18 de abril passado; o nosso nunca assaz e lembrado Chico Xavier viajou a serviço, de Pedro Leopoldo para Juiz de Fora, e, porque não nos víamos havia três anos, aproveitou o ensejo para uma surpresa de arromba.

De arromba, porque me chegou a Penates às 22 horas, debaixo de chuva. Era só para matar saudades, num fugaz e furtivo abraço. Não podia demorar, regressaria no primeiro trem da manhã, precisava parar ainda em Juiz de Fora e estar a tempo em Pedro Leopoldo, a fim de, na próxima terça-­feira, seguir para a feira pecuária de Uberaba.

Serviço é Lei, manda quem pode. Repousar? Dormir? Não. Poderia perder o trem... Candura do Chico!

— Vamos, então, “bater papo” toda a noite, enquanto chove grosso lá fora. Mesa posta, café, biscoitos e um mundo de ideias, comentários, recordações. O velho Kronos se eclipsa, envergonhado talvez, e Morfeu vai­-lhe na pegada com as suas papoulas...

As quatro da madrugada canta o galo. Minha mulher pede ao Chico uma indicação, um conselho mediúnico... 
— Deixa­-te disso, o Chico está fatigado, exausto mesmo; de resto, eu sempre fui infenso a comunicações preconcebidas. O médium, porém, não recalcitrou, toma lesto da lapiseira e sem pestanejar escreve de jato: 
 
Ave, Maria! 
No primeiro aniversário 
De minha libertação, 
Em teu lar, Quintão amigo, 
Procuro o altar da oração. 

Ave, Maria!
Mãe que por nós velas 
Do teu trono de ternos resplendores, 
Auxilia os teus filhos sofredores, 
Que padecem a fúria das procelas. 

Cheia de graça, estrela entre as mais belas, 
Anjo excelso dos pobres pecadores, 
Balsamiza, Senhora, as nossas dores, 
Tu, que por nossas almas te desvelas. 

O Senhor é contigo, Soberana, 
Astro sublime sobre a noite humana, 
Sol que infinitos dons de Deus encerra! 

Bendita és para sempre, Mãe querida, 
Por teus braços de amor, ternura e vida, 
Por teu manto de luz que ampara a terra! 
Braga Neto 
 
Isto, continua M. Quintão, com a lapiseira que guardo como lembrança do saudoso e inesperado visitante. Juro que não me lembrava, absolutamente, do seu transpasse nesta data. Nem o médium, tê-lo-ia de memória, tão pouco.

E aqui fica mais um lindo caso de um sonho premonitório, para cuja realização o caro Chico foi o instrumento feliz. 
 
 LIVRO TEMA:  LINDOS CASOS... - RAMIRO GAMA