Apostila do Evangelho de João
Conteúdo dos Evangelhos

Atualizado em: 08/09/2026
Livro: Missão do Consolador – cap. 16 a 21
18- Cap.18- A prisão de Jesus (18: 15 a 18 e 25 a 27)
A.69- A negação de Pedro
Texto do Evangelho de João:
18:15 Seguiu a Jesus Simão Pedro e outro discípulo. E este discípulo, sendo conhecido do sumo sacerdote, entrou com Jesus para o 8pátio interior {da residência} do sumo sacerdote. 18:16 Pedro, porém, permaneceu em pé {do lado de} fora da porta. Então saiu o outro discípulo, conhecido do sumo sacerdote, falou à porteira, e conduziu para dentro Pedro. 18:17 Então a criada9 porteira diz a Pedro: Não és tu, também, um dos discípulos deste homem? Ele diz: Não sou. 18:18 Estavam {ali} os servos e guardas10, {que} haviam feito uma fogueira11 e se aqueciam, porque estava frio. Pedro também estava com eles, e estava de pé se aquecendo.
***
18:25 Simão Pedro estava em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe, então: Não és tu, também, um dos discípulos dele? Ele negou, e disse: Não sou. 18:26 Um dos servos do sumo sacerdote, que era parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, diz: Eu não te vi no horto17 com ele? 18:27 Novamente, então, Pedro negou; e, imediatamente, o galo cantou.
Comentários sobre o texto:
Estamos em meio do processo infame.
O Senhor, levado pelos guardas do templo de Jerusalém, à casa de Caifás, o sumo sacerdote, é acompanhado em seu trajeto pelo povo que pedia pela sua condenação.
A multidão é volúvel.
Hoje, recebe o amparo da misericórdia.
Amanhã, no entanto, revolta-se contra a mão que lhe ofertou socorro, induzida pelos impulsos de sua própria ignorância, alterando-se ao cume das maiores injustiças.
Não há, pois, que se confiar em seu aplauso.
Era, esta mesma multidão, a que recebera Jesus, inda pouco, com ramos de palmeiras e flores, clamando hosanas e dizendo que bendito era o Mestre, que vinha em nome do Senhor e que era o “Rei de Israel”.
Serve bem, este quadro, para que examinemos a negação de Simão Pedro, que o Senhor anunciara durante a sua última ceia, dizendo-lhe que o galo não cantaria antes que o célebre Pescador o negasse três vezes.
JUNTO À PORTA
Quando Jesus foi remetido, escoltado pela guarda do templo, da casa de Anás para o palácio de Caifás, o sumo sacerdote em exercício nesse ano. Simão Pedro e outro discípulo o seguiram a distância.
Por ser esse outro discípulo um conhecido do sumo sacerdote, admitiu-se a sua entrada para o pátio da casa, acompanhando cautelosamente a seu Mestre que, naquela hora, iria ser transferido de mão em mão. com cada um de seus julgadores não desejando trazer para si o libelo de sua condenação.
“Pedro, porém, ficou de fora, junto à porta”.
É significativo este apontamento no Evangelho.
Quando estamos, ainda, despreocupados da realidade espiritual de nossas vidas, somos capazes de ver o Senhor, de longe, e acompanhar-lhe o sacrifício para o levantamento do homem ao encontro de sua própria natureza divina. Não nos sensibilizamos, porém, a estar com Ele.
Paramos, ainda, junto à porta da desculpa, que elegemos por obstáculos que a nossa vontade não quer transpor, para “ficar de fora” dos testemunhos de fé que as circunstâncias nos impõem.
E essa porta o que é em nossas vidas? Elas são muitas, retardando os benefícios da fé.
Aqui são os familiares que, pelas exigências de seus interesses passageiros, distantes ainda de compreender a essência da própria vida, erguem obstáculos diversos que não temos coragem de superar, fazendo-nos titubeantes em entregar-nos ao Senhor, de alma e coração.
Ali são companheiros equivocados, aprisionados aos valores deste mundo, que nos conclamam aos porões da vida moral e que, por fraqueza de nossa convicção iniciante, deixamos que se ergam a condutores de nosso próprio destino.
Além são participantes do templo de nossa fé que, em se deixando seduzir pelas sugestões das Sombras, atiram-se contra os obreiros que desempenham tarefas nobilitantes, retalhando-lhes os corações com a crítica azeda, e nos tornamos coparticipantes com os ditos da maledicência.
Olvidamos, nessas portas, o Evangelho redivivo.
Aceitamos as leis do lobo que devora as ovelhas, sem coragem de sustentar os nossos mais nobres ideais, chafurdando-nos na lama de muitos erros, sem aperceber-nos das reações dolorosas de nossas hesitações.
E a porta de nossa profissão? E a porta dos prazeres da carne? E a porta de nossos interesses particularistas?
Enquanto não nos decidimos, convictos do que nos cabe fazer no campo do bem, sem subjugar-nos às sugestões maliciosas do próprio mal que habita em nosso coração, o Senhor continuará no pátio da casa de Caifás, submetendo-se silencioso ao julgamento do mundo, sem se consorciar com as trevas e cumprindo a vontade do Pai, enquanto nós seguiremos a “ficar de fora”, junto à porta que nos desafia para vencê-la para as demonstrações de nossa fé.
PARA DENTRO
Narra João que o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e que acompanhara o Senhor até o pátio, intercedeu junto à encarregada da porta e levou Pedro para dentro.
Em nossa vida particular, a reencarnação já é a intercessão dos Mensageiros Divinos, a benefício de nossa evolução, levando-nos “para dentro” de nossas necessidades espirituais maiores.
Ela nos conduzirá à família de que necessitamos. Ajustar-nos-á à profissão que nos imporá disciplina. Reintroduzirá nossos passos junto a companheiros que nos servirão de apoio para o nosso reerguimento, e ao lado de credores de um passado não distante, com os quais temos débitos de amor a serem saldados.
Não há que esperar, pois, tempos melhores.
Se já fomos postos “para dentro” dos agrupamentos de almas que nos exigirão algum sacrifício, mas pertos do Senhor da Vida, temos que valorizar todas as oportunidades, atender a todas as circunstâncias, para ajustar-nos aos princípios da vida eterna.
Sejam os nossos minutos, portanto, os de plena consagração ao bem, mesmo que incompreendidos pelos que nos cercam e mesmo que sob o calor de suas exigências, para não faltar com o nosso testemunho sobre a Luz que ilumina as nossas decisões.
Não há que esperar dias melhores.
O momento poderá ser tão de sombras quanto aquele em que Jesus fora conduzido à casa de Caifás para o seu testemunho, mas não devemos aguardar as claridades de um novo dia para fazer o bem.
O minuto da expansão de nossa fé é o agora.
A CRIADA
Você poderá buscar o Senhor, compartilhando de seu sacrifício. Nos primeiros movimentos de sua fé, você poderá ser introduzido na cidadela do mal, onde deparará com criaturas que se renderam a sugestões infelizes, tornando-se zeladoras e instrumentos passivos das Sombras.
É ali, contudo, que você vivenciará a sua obra.
A ação benfazeja, que redime as almas compromissadas com os erros, pede por palco de sua expansão os próprios locais em que se encontram os espíritos desviados do bom caminho espiritual.
Dentre eles, alguns virão conferir as suas convicções. “— Não é você também um dos discípulos deste homem? E essa criada, meu amigo, é um símbolo.
Ela representa aqueles que, em primeiro lugar, pedirão o seu testemunho, querendo saber se você é um discípulo do Cristo, disposto a todos os sacrifícios com o Senhor, ou se você é apenas um daqueles que, como Caifás, é um pregador de virtudes, que se deixa dominar pela astúcia de um outro Anás, nunca fazendo o bem.
Não se renda, pois, às suas conveniências pessoais.
Crie o seu próprio dia espiritual, quando o mal, quiser conferir as suas convicções, e afirme a sua fé, ajudando e amparando, socorrendo e iluminando, a quantos o desafiem, porque estes são os que ajudam a consolidar a sua obra e a sua certeza da excelência do bem.
Simão Pedro negou, para que aprendêssemos a dizer “sim”. Revelou, esse extraordinário Pescador, que se estivermos a exercitar a oração e a vigilância, não nos renderemos às conveniências de determinadas horas, espelhando as trevas em nosso coração.
AQUENTANDO-SE
Quem aspira o bem, age onde o mal está presente. Não será na convivência fraternal, com os amigos de seu templo de fé, que você consolidará as suas virtudes. Amar os que nos amam, advertiu-nos Jesus, também isso fazem os fariseus, os publicanos, os homens de má vida. Devemos exercitar o amor entre os que não nos amam e nem nos compreendem.
Esses, você os encontrará por toda parte. Deparará com os servidores do mal e com aqueles que recebem o seu salário aviltante que, na grande noite em que se manifestam, sentem o frio que lhes provoca os seus equívocos. Eles quererão renovar as próprias energias.
Buscarão, por certo, aquentarem-se na alma, aspirando por um clima de mais calor, sem saber que, há poucos passos de suas angústias e de suas loucuras, se encontra o Senhor da Vida, pronto para socorrê-los e libertá-los da situação incômoda.
Você, em nome de Jesus, estará no meio deles.
Não vá, porém, desejar partilhar das perplexidades que lhes dominam a inteligência e as suas resfriadas virtudes, fazendo-se um deles, porque entre eles você comparece para trazer-lhes o dom da verdadeira vida.
Eles lhe perguntarão: “— É você, porventura, um dos discípulos dele?”.
O seu exemplo, por certo, poderá aquecer os serviços e os soldados das trevas, com um calor que não se apagará jamais e que lhes trará notícias de uma nova vida.
Desça, para ajudar, mas não caia nas sombras.
Jamais utilize os próprios recursos deles.
Os superiores que se disponham a trabalhar em benefício dos inferiores, em ação persistente e substancial, não lhes podem utilizar as armas, sob pena de se precipitarem no baixo nível deles, e nem podem confundir-se com eles, sob pena de enregelarem os próprios corações.
Viva no mundo, sem render-se às sugestões do mundo. Aquente-se, por alguns momentos, com os escravos da própria dor, para conseguir ajudá-los, tanto quanto seja possível, sem, contudo, fazer-se um dentre eles.
Jesus lhe envia, como ovelha, a viver entre os lobos. Cabe-lhe, porém, domesticar o lobo e não imitá-lo.
O PARENTE
Os erros do passado, nos buscam no presente. Se somos daqueles que, por alguns minutos de nossa vida, quando já incorporados nas fileiras do Senhor, viemos a cometer equívocos, entrando em combate com o nosso semelhante, não desprezemos a oportunidade divina de reconciliar-nos com aquele a quem ferimos.
Talvez ele próprio nos tenha perdoado. Quem sabe, porém, um dos parentes do ofendido, venha à nossa procura, querendo saber se não nos viu, no jardim das orações, em companhia do Senhor. A nossa alma se ralará de vergonha.
Evitemos, no entanto, que o amor-próprio se torne o nosso conselheiro e que neguemos que, ao ofender alguém, já estávamos convivendo com o Mestre Divino. Somos, ainda, plenos de falhas. Um passado nebuloso, não tão distante, age sobre nós.
Aproximamo-nos de Jesus, participando de seu discipulado, sem que alcançássemos a santificação de súbito, embora todos os esforços que empreendamos, porque nem sempre nos desvencilhamos do “homem velho” que se habituara a produzir alimentos para satisfação do estômago humano e não o alimento da Vida.
Confirmemos a nossa filiação à escola de fé. Rendamo-nos à confissão de nossas próprias fraquezas.
Não sejamos tão orgulhosos, diante daqueles que nos conferem o potencial de nossas convicções, a ponto de não admitirmos em nós a repetição de erros, que talvez sejam as marcas do passado que nos remeteu à busca do Cristo.
E não exijamos, por outro lado, que o companheiro não erre.
Exercitemos a tolerância, não errando juntos, mas não impondo ao amigo da mesma fé a conduta que ele inda não pode alcançar, a não ser violentando a sua própria natureza.
Pedro, contudo, negou o Mestre pela terceira vez.
CANTOU O GALO
O canto do galo simboliza um novo dia. Quando as sombras são esbatidas pela luz, que surge mansamente, tranquilamente e sem ruído e sem violências abre-se um novo dia para a criatura humana, permitindo-lhe caminhar sem tropeços.
Em Pedro, que o Senhor elegera à pedra angular do Evangelho, o Mestre nos demonstra que, até alcançarmos a um novo dia em nossa vida espiritual, estaremos sujeitos às quedas decorrentes da falta de oração e da ausência de vigilância sobre as nossas inclinações menos felizes.
Assim, ao surpreender-nos em negações, deveremos transformá-las de experiências amargosas, que nos farão derramar lágrimas de vergonha e dor, em estímulos edificantes para as nossas horas de testemunho.
De negação em negação, chegaremos à alvorada de um novo dia.
Não nos recolhamos, todavia, nas furnas do amor-próprio ferido, sob alegação de que somos fracos e que já negamos o Senhor, a fim de não pôr a perder as bênçãos da luz que nos visita para mais uma jornada a caminho de nossa redenção.
Você diz que não tem condição para as obras da fé porque errou. Errou e sofreu e teme a crítica. É possível que você ainda lute consigo mesmo. Entretanto, não recuse o convite do bem que lhe chama a servir e, nesse momento, esqueça-se a si mesmo e caminhe. O trabalho em auxílio aos outros lhe fará profunda e bela renovação.
A bênção do Senhor o sustentará. Se você não crê no Amparo do Alto, observe a lição do Sol. O astro do dia, vestido em luz pura e imensa está sempre reiniciando o próprio trabalho, em cada hemisfério da Terra.
Pense nisso e aprenda a recomeçar. (97)
Simão Pedro, no curso de sua atividade após o testemunho do Mestre, recordou inúmeras vezes as suas negações, mas sobre elas construiu a sua decisão inabalável para a obra redentora, superando as suas próprias hesitações e a partir delas, jamais deixou de orar, buscando o socorro divino e nem deixou de vigiar as suas próprias inclinações menos felizes.
Façamos o mesmo, quando cantar o galo.
A vida espera nosso testemunho de fé.
Apostila do Evangelho de João
Click no link abaixo, para ver o livro
| LIVRO EM ESTUDO | APOSTILA DO EVANGELHO DE JOÃO |
Mais Informações