Qui, 21 de Fevereiro de 2019
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Evangelho

O Mestre da Vida - Augusto Cury



Atualizado: 21/02/19

​​VOLUME 3
O Mestre da Vida – Augusto Cury
Cap. 5 – Condenado na casa de Caifás pelo Sinédrio
234 – O fenômeno da psicoadaptação gera a insensibilidade 

Gostaria de fazer aqui uma pequena pausa para analisar alguns mecanismos inconscientes presentes em todos nós e que conduziram os fariseus e toda a cúpula judaica da época a desprezar completamente o Mestre dos Mestres.

No primeiro capítulo, comentei os motivos conscientes, principalmente as causas sociais que levaram a essa atitude; agora, veremos os fatores inconscientes produzidos principalmente pela atuação do fenômeno da psicoadaptação. Os mecanismos aqui descritos nos ajudarão a compreender importantes processos de nossa inteligência.

Ao longo de vinte anos tenho estudado a atuação do fenômeno da psicoadaptação. Ele atua no território da emoção e destrói sorrateiramente a simplicidade, a criatividade, a capacidade de aprendizado, a admiração ante o belo.

Por um lado, a psicoadaptação é importantíssima para o funcionamento normal da mente. Por outro, se não for bem gerenciada, ela pode aprisionar o ser humano num cárcere, principalmente os cientistas, executivos, escritores, religiosos, professores, profissionais liberais, enfim, os que exercem um trabalho intelectual intenso. Os processos envolvidos na atuação desse fenômeno não serão estudados aqui.

Psicoadaptação, como o próprio nome indica, é a adaptação da emoção aos estímulos dolorosos ou prazerosos. A frequente exposição aos mesmos estímulos faz com que, ao longo do tempo, percamos a sensibilidade a eles. Podemos perder a sensibilidade à dor, às necessidades e fragilidades dos outros. Podemos, ainda, perder paulatinamente a capacidade de sentir prazer na vida, o encanto pelas pessoas mais íntimas, o amor pelo trabalho, a disposição para criar, a habilidade para aprender.

Jesus foi o Mestre da Sensibilidade. Sabia reciclar o fenômeno da psicoadaptação com grande destreza. Nunca deixava de se encantar com os pequenos estímulos e de ter prazer de viver, ainda que o mundo desabasse sobre sua cabeça. Gostava de se relacionar com as pessoas.

Mesmo envolvido em intensas atividades, ainda achava tempo para fazer coisas simples, como jantar na casa de um amigo ou contar uma parábola. O excesso de compromissos não o modificou por dentro. Infelizmente, não agimos assim. Quanto mais compromissos temos, mais deixamos de fazer as coisas simples e aquilo que amamos.

À medida que somos expostos aos estímulos, deixamos de ter prazer neles. Um mês depois de comprar o carro tão desejado já não temos o prazer intenso que sentimos nas primeiras vezes em que o dirigimos. Com o passar do tempo, o estímulo visual vai atuando no processo de construção dos pensamentos e perdendo, sutilmente, a capacidade de excitar a emoção.

O mundo da moda sobrevive porque as mulheres também são vítimas do fenômeno da psicoadaptação. A necessidade de comprar novas roupas ocorre porque, após usar a mesma algumas vezes, a emoção se psicoadapta e pouco a pouco deixa de provocar o prazer experimentado nas primeiras vezes. A mídia é perniciosa nesse sentido. Sem que se perceba, ela atua no fenômeno da psicoadaptação gerando uma insatisfação mais rápida e intensa, o que estimula o consumismo.

Todos nós temos milhares de experiências nesse sentido. Ao longo da vida nos psicoadaptamos a pessoas, coisas, situações ou objetos. Em muitos casos, o efeito desse fenômeno é positivo. Vamos dar dois exemplos.

Depois que conquistamos uma meta, um diploma, um conhecimento, começamos a perder paulatinamente o prazer da conquista. À medida que essa perda se processa, surge uma ansiedade normal que é estimulada e que chamo de “ansiedade vital”.

Essa ansiedade nos leva inconscientemente a transpor a conquista e nos impulsiona em direção a novas metas, alavancando assim a criatividade. Muitas pessoas deixam de brilhar porque perderam o encanto de criar. Ouvem palestras sobre motivação, mas nada as estimula. Apegam-se às suas conquistas como se fossem seus tronos. Envelhecem no território das ideias.

Por outro lado, quando vivenciamos perdas, frustrações, injustiças, o pensamento fica hiperacelerado e a emoção, angustiada. Mas, com a atuação do fenômeno da psicoadaptação, a carga de sofrimento vai diminuindo aos poucos, aliviando a dor emocional. Quem não desacelera o pensamento não se psicoadapta às perdas e perpetua a sua angústia. Portanto, nesse sentido, o fenômeno da psicoadaptação é benéfico.

Precisamos, no entanto, ficar atentos para a atuação sutil e maléfica desse fenômeno inconsciente. Ele tem o poder de nos fazer insensíveis à dor dos outros, cultivar a autossuficiência e nos transformar em pessoas arrogantes, prepotentes.

É também capaz de gerar a prática do “coitadismo” e nos transformar em pessoas com baixa autoestima e com enorme dificuldade de lutar pela vida e pelos nossos ideais. Pode ainda cristalizar preconceitos e nos levar a discriminar pessoas que são tão dignas de respeito quanto nós. Nesses casos, a psicoadaptação é muito prejudicial.

Embora não citasse o fenômeno da psicoadaptação em seus discursos, o mestre da Galileia demonstrava que o conhecia muitíssimo bem. Estava sempre treinando a emoção dos seus discípulos para que não fossem insensíveis à dor dos outros, para que se vacinassem contra o orgulho, se colocassem como aprendizes diante da vida, não desistissem de si mesmos por mais defeitos que tivessem e nunca discriminassem ninguém ao seu redor.​

Estudos dos Evangelhos

O evangelho segundo o espiritismo.