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Evangelho

O Mestre da Vida - Augusto Cury





Atualizado: 08/11/18

VOLUME 3
O Mestre da Vida – Augusto Cury
Cap. 3 - O poderoso e dócil: um exímio psicoterapeuta
219 - Um exímio psicoterapeuta 

Quando Jesus se entregou e foi manietado, os discípulos perceberam o inevitável. Seu mestre de fato viveria o martírio sobre o qual sempre os alertara. Nada o faria desistir do seu destino, “nem os exércitos dos céus” que afirmou ter sob seu comando. Então eles se dispersaram amedrontados e confusos como ovelhas sem pastor. Exatamente como Jesus havia predito.

Precisamos fazer algumas considerações importantes a esse respeito. Como Jesus conseguiu prever a dispersão dos discípulos?

Como homem, ele analisava o comportamento das pessoas e percebia suas dificuldades em lidar com as próprias emoções nos momentos de maior tensão. Sabia que quando o mar da emoção está calmo os seres humanos são bons navegantes, mas, quando está agitado, perdem o controle das suas reações. De fato, não há gigantes no território da emoção. Pessoas sensatas e lúcidas têm seus limites. Sob um foco de tensão, muitas perdem o controle. Algumas são seguras e articuladas quando nada as contraria, mas sob o calor da ansiedade se comportam como crianças.

O Mestre da Vida era um excelente psicólogo. Sabia que o medo controlaria o território de leitura da memória dos seus discípulos, dissipando a lucidez e travando a capacidade de pensar. Não exigiu nada deles quando foi preso, apenas previu que, quando o medo os envolvesse, eles se esqueceriam dele e fugiriam, inseguros.

Nós cobramos o que as pessoas não podem nos dar. Quase todos os dias tenho longas conversas com maridos, esposas, pais, filhos, e peço-lhe para serem tolerantes, não conservarem mágoas nem raiva uns dos outros, explicando que não é possível dar o que não se tem. É necessário plantar para depois colher. Plantar diariamente a segurança, a solidariedade, a honestidade, a perseverança, a alegria nos pequenos detalhes da vida, a capacidade de expor e não impor as próprias ideias, para muito tempo depois colher essas funções nobres da inteligência.

Se esperasse muito dos seus discípulos, Jesus se frustraria excessivamente com o abandono deles, com a traição de Judas e a negação de Pedro. Entretanto, educava-os sem contar com resultados imediatos.

Quem quer ser um bom educador tem de ter a paciência de um agricultor. Se quisermos viver dias felizes, não devemos esperar resultados imediatos.

Quando educamos nossos filhos com todo o carinho e eles nos frustram com seus comportamentos, temos a impressão de que nossos ensinamentos foram como sementes lançadas em terra árida. Mas sutilmente, sem percebermos, essas sementes um dia eclodem, criam raízes, crescem e se tornam belas características de personalidade.

O Mestre da Vida aceitava os limites das pessoas, por isso amava muito e exigia pouco, ensinava muito e cobrava pouco. Esperava que o amor e a arte de pensar pouco a pouco florescessem no terreno da inteligência. Por dar muito e exigir pouco, ele protegia sua emoção, não se decepcionava quando as pessoas o frustravam nem as sufocava com sentimentos de culpa e incapacidade.

Por que predisse que os discípulos o abandonariam no momento mais angustiante de sua vida? Para protegê-los contra os sentimentos de culpa, de incapacidade, de autodesvalorização que surgiriam ao refletirem sobre suas fragilidades. Ele não apenas se preocupava com o bem-estar físico dos discípulos como esperava que eles não desistissem de si mesmos quando fracassassem.

Tal comportamento evidencia a face de Jesus como psicoterapeuta. Ele não era apenas um mestre, um médico, um amigo, um educador e um comunicador do mais alto nível, mas também um excelente psicoterapeuta. Conseguia prever as emoções mais sutis e angustiantes dos seus discípulos antes de elas surgirem e dava-lhes subsídios para que as superassem.

Quantos se suicidam como Judas por estarem decepcionados consigo mesmos? Quantos, diante dos seus erros, se envergonham e retrocedem em sua caminhada? Quantos não se deixam esmagar por sentimentos de culpa e vivenciam crises depressivas diante de suas falhas? Jesus sabia que o ser humano é o pior carrasco de si mesmo. Por isso, estava sempre querendo tornar leve o fardo da vida, libertar a emoção do cárcere.

Nenhum daqueles que acompanhavam o mestre de Nazaré vivia se martirizando. Até uma prostituta sentia-se aliviada ao seu lado. Alguns derramavam lágrimas por ele tratá-los com tanto amor, por lhes dar continuamente uma oportunidade. Será que as pessoas se sentem menos tensas ao nosso redor? Será que lhes damos condições para que abram suas almas e nos contem seus problemas? Não poucas vezes, ao ver as pessoas fracassarem, nós as criticamos em vez de ajudá-las a se levantar.

O mais excelente mestre da emoção sabia que seus discípulos o amavam, mas ainda não tinham estrutura para vencer o medo, o fracasso, as perdas. Previu que eles o abandonariam e que isso serviria para que se conhecessem melhor e compreendessem suas limitações, para que fossem fortes após as derrotas.

O comportamento de Jesus mais uma vez concilia características quase que irreconciliáveis. Ele demonstrou ter um poder incompreensível, capaz de arregimentar exércitos de anjos. O que se pode esperar de uma pessoa tão forte? Autoridade, julgamento, rigidez, imposição de normas, crítica contundente. Todavia, eis que encontramos nele afetividade, tolerância, compreensão das falhas, gentileza e ausência de cobranças.

É horrível conviver com uma pessoa disciplinadora que deseja que todos vejam o mundo apenas através de seus olhos. Mas é bom conviver com alguém maleável, capaz de enxergar com os olhos dos outros.

A personalidade de Jesus é encantadora. Dificilmente encontraremos alguém que, no topo do poder, desceu para perscrutar os sentimentos mais ocultos do ser humano. Quem quisesse ser discípulo de Jesus jamais poderia considerar-se pronto, mas também nunca iria desistir de si mesmo.

O Mestre da Vida não procurava gigantes nem heróis, mas pessoas que tivessem a coragem de levantar-se após cair, de retomar o caminho após fracassar.
 

Estudos dos Evangelhos

O evangelho segundo o espiritismo.