Sáb, 16 de Fevereiro de 2019
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Renuniões Públicas
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Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 
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Nas Pegadas do Mestre

Pedro de Camargo (Vinicius)



Atualizado: 16/02/2019


101- Julgamento macabro 

Assim se deve denominar o júri a que se reporta a seguinte notícia:
“Jerônimo Nailor, processado por crime de estelionato, está preso na Casa de Detenção, do Rio; e, achando-se gravemente doente, impossibilitado de se locomover, pediu ao juiz, Dr. Vaz Pinto Coelho, que procedesse ao julgamento na própria detenção, no que foi atendido.

Anteontem, às 13 horas, na sombria enfermaria daquele presídio, deram entrada o juiz Dr. Vaz Pinto Coelho, o procurador da República Dr. Buarque Pinto Guimarães, o advogado Dr. Pinto Lima, e o escrivão Cunha Pinto.
Estes senhores acercaram de um leito, onde um homem esquálido, de olhos esbugalhados, agonizava.

Vinham esses representantes da lei fazer o julgamento do moribundo, o réu Jerônimo Nailor, acusado de haver, em novembro de 1911, abonado uma firma falsa para receber no Tesouro a quantia de 6:000$000 (seis contos de réis), que pertencia ao padre Giacomo Cocole.

O procurador da República leu o libelo, fez a acusação; o advogado da defesa, Dr. Pinto Lima, defendeu o acusado, e pediu ao juiz a sua absolvição.

Os espectadores dessa cena eram presidiários e doentes, que, de faces encovadas e de olhos fundos, mal se erguiam do leito, curiosos.

O réu era indiferente a tudo o que se passava e estertorava já, quando, seguido pelos olhares doentios dos correcionais, o juiz, o procurador, o advogado e o escrivão desapareceram pelo portão da enfermaria”.

Eis como se demonstra a indefectibilidade da justiça humana. Julga-se um moribundo que estertora no catre de um calabouço, e abrem-se de par em par as portas palacianas para os biltres de toda a espécie, responsáveis pela ruína da sociedade.

Ademais, como houve o padre Giacomo de Cocole os 6:000$000 que deram lugar à prisão do culpado? Naturalmente é o produto de missas pelas almas do purgatório. Ora, como se ousa punir Jerônimo Nailor por crime de estelionato, quando o padre, queixoso, praticou também o estelionato, iludindo a boa-fé de dezenas de incautos capazes de suporem que com dinheiro se obtêm passaportes para o Céu?

Bem disse Jesus aos seus discípulos: “Se a vossa justiça não for superior à dos escribas e fariseus, de maneira alguma entrareis no Reino dos Céus”.​

Nas Pegadas Mestre