Sáb, 09 de Novembro de 2019
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Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 
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Nas Pegadas do Mestre

Pedro de Camargo (Vinicius)




Atualizado: 09/11/2019


Nas Pegadas do Mestre – Pedro de Camargo (Vinicius)    
139- A Letra e o Espírito 

“As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida; o espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita”. (João, 6:63.)

O grande tribuno Antônio Vieira, fazendo, certa vez, apologia da alma e da imortalidade, teve esta feliz expressão:
“Quereis saber o que é a alma? Vede um corpo sem ela”.

De fato. Semelhante argumento vale, em sua simplicidade e singeleza, pela mais cabal demonstração. Que é o corpo sem alma? É cadáver, cadáver que dali a momentos se transformará em pasto de vermes. Não estão ali os órgãos? Não estão ali os membros? Não se acham ali todas as células de que se compõe o corpo?

Por que não pensa aquela cabeça, aquele cérebro não raciocina, aquela boca não fala? Por que não ama aquele coração; nem aborrece? Por que não tem alegrias nem tristezas? Por que não brilham aqueles olhos, e aquele rosto não tem mais encanto? Tudo isso simplesmente porque a alma o abandonou.

A alma é a sede da vida. É ela que pensa, que sente, que imprime à matéria esta ou aquela forma, que dá ao rosto esta ou aquela expressão.

Este símile pode ser aplicado com muita justeza à letra, e seu respectivo espírito.

A lei é a manifestação gráfica da ideia, como a palavra é a sua manifestação verbal. A ideia é que vivifica a letra. Esta sem aquela é morta. A letra está para a ideia — que é seu espírito —, como o corpo está para a alma. Corpo sem alma é cadáver. A letra, sem o seu respectivo espírito, é um sinal vão, inexpressivo, morto.

O homem, depois de cadáver, perde tudo que o distinguia; é massa inerte que se pode transportar para onde se queira, que se pode vestir ou despir. Está por tudo, não tem vida; e onde não há vida, não há “querer”.

É precisamente essa a condição da letra desacompanhada do seu espírito: é cadáver. Podemos dar-lhe a interpretação que melhor nos convenha, podemos vesti-la desta ou daquela roupagem, ou de todo despi-la se assim o entendermos. Ela nada diz, nada protesta, a tudo se submete, mesmo à satisfação dos caprichos mais extravagantes: ‘perinde ac cadaver’.

Quando, porém, a letra é mantida com o espírito que lhe é próprio, jamais podemos torcer-lhe a legítima interpretação sem incorrer em contradições que os fatos virão logo, fatalmente, demonstrar à luz de toda a evidência. E isto sucede porque é na ideia oculta através da forma que está a vida, a verdade revelada do Céu, essa rocha sobre a qual Jesus assentou os fundamentos da fé.

Eis aí a distinção entre as obras dos homens e a obra de Jesus Cristo. Os homens fundam sua política e suas religiões sobre dogmas intangíveis, dogmas que são montões de letras mortas, sem espírito, e, portanto, ineficazes para o fim a que pomposamente se dizem destinar.

Jesus Cristo levantou o templo majestoso da verdade sobre a ideia viva, sobre a manifestação inequívoca do espírito atuando fortemente sobre a consciência, sobre o cérebro e sobre o coração do homem, conduzindo-o à realização dos altos e gloriosos destinos que lhe serão reservados. 
 

Nas Pegadas Mestre

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