Qui, 21 de Março de 2019
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Nas Pegadas do Mestre

Pedro de Camargo (Vinicius)



Atualizado: 16/03/2019


Nas Pegadas do Mestre – Pedro de Camargo (Vinicius) 
105- Quantidade e qualidade
 
“Voltando-se Jesus para a grande multidão que o acompanhava, disse: Quem não colocar minha doutrina acima do pai, mãe, irmão, mulher e filhos e até da própria vida, não pode ser meu discípulo. Aquele que não transportar a sua cruz e não renunciar a tudo quanto tem, tampouco pode ser meu discípulo.

Pois qual de vós, querendo construir uma torre, não se assenta primeiro afazer as contas da despesa, para ver se tem com que acabar a obra? E isto para não acontecer que, após haver lançado os alicerces, e não a podendo acabar, dê ensejo a ser escarnecido, dizendo-se: Aquele homem começou a construir e não pôde acabar”.   (LUCAS, 14:25 a 30.) 

Por aqui se vê que Jesus não se preocupava com o número avultado de prosélitos que porventura se reunissem em torno do ideal que anunciava.

Ele queria homens compenetrados, convencidos e perfeitamente cônscios dos seus deveres, e da grande responsabilidade que assumiam perante Deus em suas próprias consciências.

Pouco se lhe dava que a turbamulta inconsciente e curiosa que o seguia debandasse.

A multidão que se move como as vagas impelidas pelo vento é irresponsável.

Com a facilidade com que se entusiasma num momento dado, arrefece também diante do primeiro obstáculo a remover. Jesus não pretendia arrebatar, mas convencer.

Não hipnotizava atuando sobre os sentidos por meio de aparatosos ritualismos: dirigia-se à razão, falava aos corações.

Jamais intentou granjear adeptos iludindo-os com falazes promessas. Salientou bem as dificuldades que teriam a vencer, e precisou com a máxima clareza as condições que deveriam preencher os que quisessem ser seus discípulos. Não ocultou a escabrosidade do carreiro. Comparou-o mesmo com a trajetória do Calvário, determinando que cada um deve levar sua cruz, se quiser segui-lo.

Para ser ainda mais claro, aconselhou aqueles que pretendessem seguir-lhe as pegadas a medirem primeiramente suas forças, assim como o homem que, tendo em vista construir uma obra, deve balançar previamente seus haveres para evitar ridículos insucessos. O verdadeiro Cristianismo, portanto, não se interessa pela quantidade, mas sim pela qualidade.  
 

Nas Pegadas Mestre