Seg, 12 de Outubro de 2026
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Apostila do Evangelho de João

Conteúdo dos Evangelhos




Atualizado em: 13/10/2026

Livro: Missão do Consolador – cap. 16 a 21 

19- Cap.19- A prisão de Jesus (19: 17 a 22) 

A.73- A crucificação 

MARTÍRIO E CRUCIFICAÇÃO  

(Mesmo assunto em: Mt 27:27-44; Mc 15:16-32; Lc 23:26-43) 


Texto do Evangelho de João: 

19:17 E carregando ele próprio a cruz, saiu em direção a um local chamado “{lugar} do Crânio”, que se diz em hebraico “Gólgota”, 19:18 onde o crucificaram, e com ele outros dois, de um lado e do outro, e Jesus no meio. 19:19 Pilatos também escreveu um título1 e o colocou sobre a cruz; o que estava escrito era: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. 19:20 Muitos judeus leram este título, porque o lugar onde Jesus fora crucificado era próximo da cidade, e estava escrito em hebraico, latim e grego. 19:21 Diziam, então, a Pilatos os sumos sacerdotes dos judeus: Não escrevas “O Rei dos Judeus”, mas que ele disse “Sou o Rei dos Judeus”. 19:22 Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.  

Comentários sobre o texto: 

João não é detalhista do drama do Calvário. 

Sabe que o Senhor é o Cristo, que veio da parte do Pai, consoante as promessas anteriormente feitas através de todos os tempos, e não se detém a querer dar comprovação do fato, transcrevendo trechos das Escrituras. Só raramente o faz. 

Algumas das informações, dadas por Mateus, Marcos e Lucas, destacando ser Jesus o Pastor de Israel, colocando nos lábios do Senhor as frases de dor e desalento com que o Cordeiro Divino fora descrito, não comparecem no Evangelho de João. 

E somente João, entre os evangelistas, foi testemunha. 

Ele estivera ao pé da cruz, mas revelava o Cristo Universal. 

Cada um falou dentro de sua tarefa específica.  

Necessário, porém, saber interpretá-los, a fim de não ficar a deter-se sobre supostas fraquezas do Mestre, na hora de sua glorificação na cruz, uma vez que Ele manteve a sua extraordinária e modelar dignidade em todos os segundos do seu Calvário. 

Veremos, agora, neste trecho, após os conflitos de paixões e de sentimentos dos que condenaram o Mestre e dos que foram chamados a endossar a dolorosa sentença, uma descrição singela da crucificação, na palavra de João Evangelista: 

ELE PRÓPRIO 

As anotações evangélicas de João são mensagens individuais. 

Além de grafar os sinais que o Senhor distribuiu, ao longo de seu caminho, há em cada detalhe um significativo convite à reflexão de todos aqueles que examinam as páginas de seu livro de luz. 

Jesus fora entregue aos judeus para a crucificação. “Tomaram eles, pois, a Jesus, e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário”. 

Quantas vezes você será julgado pela sua consciência? 

A cada queda moral que sofremos, visando a evitar quedas mais espetaculares ainda a voz interior que nos vigia eleva-se em nós rogando por um reexame de nossas inclinações menos felizes. A dor, também, visita-nos nessa hora. 

Carregados de aflições, confundidos com as reações de nossos atos ou de nossa omissão diante do bem, desesperadamente buscamos alguém que nos alivie dos sofrimentos, desejosos de forrar-nos das consequências amargosas do desinteresse que revelamos pela vida moral. 

O próprio Mestre, em vindo à Terra, comparece em nossa vida para o inevitável encontro de valores espirituais, consagrando o exercício do bem por remédio providencial que, além de permitir suportar os desafios, reajusta os nossos caminhos. 

Palmilharemos, no entanto, também o nosso Calvário. 

Ao sermos convocados, pelas forças das circunstâncias, a tomar a cruz de nossos equívocos, não queiramos que os que se encontram à nossa volta façam o trajeto do sacrifício por nós. A doutrina é consoladora na sua essência. 

Não nos isentará, porém, das tribulações consequentes de cada atitude equivocada, porque se assim o fizesse contribuiria para a nossa imantação permanente ao campo dos desequilíbrios da alma. 

O Mestre, sem pecado, carregou, ele próprio, a cruz. A nossa cruz, contudo, não é o pecado do mundo. Ela é o fruto de nossos próprios erros. 

Diante das necessidades reais de nossa transformação espiritual para melhor, não sejamos infiéis à nossa própria consciência, querendo isenção de trabalho e ausência de dificuldades que constroem. 

A cruz ensina-nos a viver espiritualmente. 

Se formos beneficiados, em excesso, com vantagens pessoais, onde ficará o nosso aprendizado? Na Terra o Calvário é a lição que nos falta, para que nos tornemos fortes, generosos, sábios e felizes como os nossos próprios benfeitores espirituais. 

Ajustemo-nos às leis, para que as leis nos ajustem. 

OUTROS DOIS 

Jesus foi crucificado no Gólgota. Braços abertos, voltando-se para o mundo que o não compreendia naquele instante, ali o Senhor coroava a sua própria obra, que fora o sacrifício de sua exemplificação a cada novo dia na Terra. 

É o maior quadro de dor moral, augusta e indefinida, que nosso orbe registrou para a meditação em todos os milênios. É a consagração da renúncia e da resignação. É o Amigo que doa a sua vida aos amigos. Essa dor espiritual é grande demais para ser compreendida. 

Seu olhar profundo iluminado pela misericórdia deveria estar avaliando o grau da incompreensão humana, a atribulação da injustiça, a dureza de corações, descortinando os milênios de atividades redentoras para o reajuste moral de cada um daqueles que se encontravam a seus pés necessitados de aprender a amar. 

A cruz seria a marca de seu reinado na Terra. 

Os seus obreiros, todos eles, experimentariam a ascensão do Calvário, coroando as suas tarefas debaixo de sofrimentos morais também indefiníveis, sem queixumes, em plena solidão em si mesmos, na renúncia a favor dos confundidos pelas sombras e no cumprimento da vontade do Pai. 

Reflita na Cruz, se você é um deles. Essas coisas são para pensar e muito! Examinando o Cristo, examine-se a si mesmo. 

Quem trabalha pelo Senhor, na expansão do seu reino de amor no coração do homem, não deve querer um caminho salpicado de flores, revestido de privilégios, porque a tarefa é, ainda, sacrificial. 

Nem deve querer, no seu Calvário, ser acompanhado de anjos. 

O Senhor, encaminhado ao sacrifício, teve por companhia dois delinquentes comuns, aos quais a justiça do mundo, na incompreensão dos juízes da época, impusera também a pena de morte, sem abrir-lhes a porta do arrependimento, por julgar que se preservava de perigos mandando matar os que cometeram erros clamorosos. 

Não menospreze, pois, a companhia que você terá. 

Se a seu lado, no sacrifício de sua cruz, seguirem aqueles que o mundo por justa causa reprovou, longe de recriminar a companhia menos feliz, reconheça nela o desafio para mais trabalho, porque o próprio Mestre a acolheu sem queixumes e lamentações. 

Reflita, também, na pena de morte. 

As leis humanas, feitas para uma época, refletindo o estado espiritual das civilizações, mudam com o progresso e continuarão a mudar, até que tenham sido postas de acordo com as leis divinas, eternas, que querem a redenção do homem. 

A morte, contudo, imposta ao Cristo, em nome de Jeová, além de ser uma demonstração da impiedade, revela quão longe estão os homens de compreender Deus e, também, quanto têm cada um para expiar na fieira das reencarnações reparadoras. 

A pena de morte é um crime, quando aplicada em nome de Deus, e os que a impõem se sobrecarregam de outros tantos assassínios, (102) quer seja esta imposta ao Mestre, quer sejam tantas outras atribuídas aos que contrariam a vontade dos poderosos príncipes das religiões, em todos os tempos. 

Tão impiedosas, quanto esta, são as mortes impostas pela calúnia, pela difamação, pela perseguição surda, que dilaceram corações generosos que buscaram a Seara do Senhor para a realização de seus anseios por um mundo melhor. 

Cuidemos, pois, de não sacrificar companheiros. 

Menos, ainda, sacrificar os que não comungam os nossos ideais. 

Meditando sobre a morte infame, decretada para o Senhor, reexaminemos a nossa vida e verifiquemos se não estamos impondo morte à fé, morte à esperança, morte aos ideais nobres de muitos de nossos companheiros de caminhada, tão-somente porque eles falam a linguagem do céu, incompreensível a nossos ouvidos que se ajustam aos sons umbralinos. 

PILATOS ESCREVEU 

No cimo da cruz, de cada sentenciado à morte, era costume colocar-se uma pequena tábua, com a indicação do crime pelo qual o infeliz delinquente pagava com a sua própria vida. Quem por ele passasse, saberia por que estava crucificado. 

O pretor romano, que capitulara diante da pressão do sinédrio, co-assinando a sentença de morte decretada contra Jesus pelos principais dos sacerdotes, após o célebre ato de lavar as suas mãos na condenação de um inocente, refletia dolorosamente. 

Levado por estranhas forças, na sua própria angústia, tomou uma tábua daquelas onde se inscreviam as razões da condenação e, pensando no Mestre e no “crime” que lhe imputaram, escreveu: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”. Esse era o crime! 

Se aqueles para quem Ele viera não o receberam, estava Pilatos, que lhe era absolutamente estranho, a consagrar a sua verdadeira realeza, que transcende o reinado da Terra. O povo aclamara Jesus por rei dos judeus. Pedira, após a sua crucificação. 

O procurador romano, contudo, como um instrumento do Alto, estava a atribuir-lhe a titulação que espelhava a generosidade do próprio Mestre, diretor angelical de nosso orbe, que há mais de dois mil anos enviava seus mensageiros para a maturação daquela gente que iria vulgarizar os princípios iniciáticos aprendidos no Egito e desfraldar a bandeira do Deus único. 

Era o Senhor o Messias esperado. 

Esse título, que não descrevia um crime, porém sintetizava uma missão sagrada, delegada pelo Pai a Jesus, Pilatos mandou colocar no cimo da cruz, onde sobrepairava o Mestre. 

Estando o Calvário, no entanto, muito próximo de Jerusalém, nas suas cercanias, muitos judeus que leram esse título procuraram os principais dos sacerdotes para que estes ponderassem ao pretor romano o que consideravam uma referência depreciativa. 

Os homens do sinédrio procuraram Pilatos. Rogaram-lhe que alterasse o que estava escrito. Não atribuísse o procurador romano o título de “rei dos judeus” a Jesus, o crucificado daquele dia, mas que o retificasse, colocando “Sou o rei dos judeus’', como se essa fosse uma auto aclamação do próprio Profeta. 

Respondeu-lhes Pilatos: “O que escrevi, escrevi”. Nem sempre reconhecemos a verdade. Por vezes, confundidos pelos nossos sombrios interesses particularistas, perpetramos injustiças sem conta, ferindo e alijando para longe de nossos corações oportunidades sagradas. 

A misericórdia divina, porém, busca despertar-nos. 

Em não podendo inspirar-nos, pessoalmente, porque estejamos imersos em nossas inclinações menos felizes, buscará a mão piedosa de alguém a nosso lado, para inscrever o bem que estamos fazendo por ignorar. 

Esse alguém falará como medianeiro do Mais-Alto. 

Não importa, aí, se ele é ou não um participante de nosso templo de fé. Menos ainda importará se ele detém este ou aquele encargo ou se estava a serviço do bem ou de forças que nos oprimem. Importará, isto sim, reconhecer a verdade, onde esteja e venha por intermédio de quem vier. 

Evitemos, nessa hora, de rejeitar o bem, tão-somente porque ele nos chega através de uma pessoa que consideramos menos digna espiritualmente ou alguém com menor conhecimento do que o nosso, porque, quando estamos confundidos, a luz não pode manifestar-se por nós mesmos. 

Chegará, contudo, por aqueles por quem deve chegar. 

O inimigo, por vezes, é o portador da luz. 

Examinemos, portanto, todas as coisas que nos cheguem, sem depreciá-las tão-só porque o nosso orgulho rejeita os intermediários, para saber se elas não provém do Mestre, para economia de nossa vida. 

Apostila do Evangelho de João

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