Ter, 15 de Setembro de 2026
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Manhã: Domingo das 08hs30 às 11hs00
Tarde: 2ª e Sábado das 14hs30 às 16hs00
Noite: 4ª e 5ª das 20hs30 às 21hs30 
 
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Apostila do Evangelho de João

Conteúdo dos Evangelhos




Atualizado em: 15/09/2026

Livro: Missão do Consolador – cap. 16 a 21 

18- Cap.18- A prisão de Jesus (18: 28 a 32) 

A.70- Jesus no Pretório 

JESUS DIANTE DE PILATOS  

(Mesmo assunto em: Mt 27:11-26; Mc 15:1-15; Lc 23:1-25,13-25) 

Texto do Evangelho de João: 

18:28 Então conduziram Jesus de Caifás para o pretório1. 2Era cedo, e eles não entraram no pretório, para que não se 3tornassem impuros, mas {pudessem} comer a Páscoa. 18:29 Então Pilatos se dirigiu para fora, em direção a eles, e diz: Que acusação trazeis contra este homem? 18:30 Em resposta, disseram-lhe: Se ele não fosse malfeitor, não te entregaríamos ele. 18:31 Disse-lhes, então, Pilatos: Tomai-o vós e julgai-o segundo a vossa Lei. Disseram-lhe os judeus: Não nos é lícito matar ninguém; 18:32 para que se cumprisse a palavra de Jesus, que dissera indicando4 o tipo de morte que estava prestes a morrer.  

Comentários sobre o texto: 

Estamos, ao estudar o sacrifício do Senhor, evitando deter-nos nas afirmações apaixonadas de seu humilhante Calvário, onde seria erguido por um Cordeiro de Deus, visando a libertação do homem de seus pecados. 

Preferimos extrair todas as suas lições. 

Ocorre que, quando nos deixamos empolgar, na defesa do Senhor, na sua peregrinação dolorosa, terminamos por não anotar as lições de vida que ele nos proporciona e que eram a finalidade maior de sua permanência no quadro de nossa evolução. 

Que nos valerá, embora também encerrem lições do que não mais fazer, ficarmos a questionar sobre a infâmia do simulacro do processo a que foi submetido, se deixarmos de recolher cada um dos ensinamentos que ali se contém, para a economia de nossa conquista da imortalidade? 

Não choremos pelo Senhor. 

Antes, choremos por nós mesmos, que diariamente o estamos a submeter ao mesmo processo de injustiça, de infâmia, por não guardar-lhe a palavra divina na pauta de nossa vida. 

NÃO SE CONTAMINAREM 

O homem é, ainda, escravo de formalismos exteriores. Mesmo quando, em sua vida, já despontam os sinais de um novo dia espiritual, já se fazendo “manhã cedo” em seu caminho, nem sempre consegue despojar-se do culto a virtudes de aparência, revelando-se um observador de gestos inúteis.   

Os judeus não entraram no pretório. Quem levanta a advertência é João no seu Evangelho. O pretório, que era a residência do magistrado romano, encarregado de julgamentos e, portanto, a casa de Pilatos para o exercício da Justiça, era tido por lugar impuro pelos religiosos fanáticos. 

Ignoravam eles que o Pai está em toda a parte. Não descobriam que era maior impureza conduzir um inocente aos tribunais humanos, sobrecarregado de acusações falsas e maldosas, que colocar os pés nos locais em que atuavam os juízes. 

O conceito humano do que é sagrado, confunde-nos. Não é raro, nos quadros da existência, entronizarmos por heróis de qualidades santas, aqueles que são instrumentos da dor e da opressão, tão-somente por desejarmos disputar-lhes as preferências e vivermos à sua sombra. 

Igualmente temos elevado à categoria de vitoriosos, os que se rendem às sugestões do mal, mas que conseguiram amealhar apreciáveis recursos materiais, alcançando lugar de destaque nos quadros sociais. Bajulamos os poderosos, olvidando os pequeninos. 

É bem provável, nesse cenário de nossos equívocos, que entreguemos a direção de nosso agrupamento de fé, não ao companheiro singelo que vive os nossos princípios, mas àqueles que detêm alguma expressão mundana e que contam com as amizades prestigiosas de seu próprio círculo de erros. 

Levaremos Jesus ao pretório, para ouvir a sentença que o distancia de nossos corações, sem considerar que esse seja o ato que contamina o homem, pela sua significação de injustiça, porque nos revelamos aprisionados a virtudes de aparências. 

Queremos libertação, sacrificando o nosso libertador. É hora, pois, de revisarmos o que temos feito com o Senhor. 

Agindo em seu nome, não estaremos a rejeitar os seus ensinamentos, que nos levam ao exercício da lei do amor ao próximo, quando o próximo é aquele que se encontra mais perto de nosso quadro de expiações e provações, inclinando-nos àqueles que nos causam a alegria fugaz de um minuto, que resultará em quedas inevitáveis? 

Não deixaremos Jesus no Pretório, para render-nos ao mundo? 

Quem se faz cego, no campo religioso, sem que nos seus princípios de fé entreveja a manifestação da própria vida, muito facilmente se rende ao ponto de vista formal das letras divinas, sem conhecer-lhe a significação profunda, perecendo abraçado a suas ações inconsequentes, em que o Senhor da Vida é colocado num plano secundário. 

O mundo não contamina, em si, o homem virtuoso. 

O homem de falsas qualidades, no entanto, ergue mil artificialismos à sua volta, para justificar-se na omissão voluntária diante das necessidades de seu próximo. 

ACUSAÇÃO 

É notável que, embora Pilatos não participasse das convicções religiosas daqueles que lhe apresentavam o Cristo para julgamento, que o pretor de César antes se dirigisse a seus corações endurecidos: “— Que acusação os senhores trazem contra este homem?”.  

A indagação induzia a reflexões profundas. Se alguém pretende que outrem seja julgado, convém que o censor da conduta alheia reflita, por horas seguidas, se o seu propósito é do bem ou simplesmente do mal. 

Levamos alguém a juízo por ser passível de julgamento? 

Não estaremos, contrariamente a isso, conduzindo alguém a julgamento tão-somente por ter ele contraditado nossos pontos de vista particularistas ou por ter predicado, indiretamente, contra os nossos interesses pessoais? 

Você também será julgado pelos seus pares. Basta que você se eleve espiritualmente, buscando o desempenho do próprio dever junto a seu próximo, para experimentar a solidão de quem passará a ser examinado pelo juízo alheio. 

Quanto mais você se afastar dos vales dos indiferentes, daqueles que circulam em estreitas e elementares manifestações da existência na Terra, tanto mais, você se tornará incompreendido. Você fará a senda divina quase só. 

Não se detenha, porém, aguardando o despertar da consciência de seus julgadores, mantendo-se na faixa reduzida dos ideais deles, para não retardar o seu próprio crescimento interior. O mundo não ama o que não é seu. 

E se você se rendeu, incondicional, à obra regeneradora do Senhor, lembre-se de que o próprio Mestre foi introduzido no pretório por aqueles mesmos pelos quais Ele viera a nosso mundo, e que tiveram de ser alertados por Pilatos para que fundamentassem a sua acusação. 

O mal somente responderá: “— Se este não fosse um malfeitor, não lhe entregaríamos”.   

Para o delinquente comum, cujas experiências são primárias, necessitado da bênção da educação, o policial que lhe vigia os atos e os tribunais que lhe cobram o respeito às leis, são os inimigos e malfeitores. 

Para os que vivem do altar, manipulando a crença alheia para ter o domínio da vontade de seus seguidores, todos os que se alteiam, ultrapassando o seu universo terreno, se transformam em ameaça à sobrevivência de seu engenho e arte, tornando-se malfeitores. 

Não apresentam o Senhor para que ajuízem do valor das acusações infundadas que lhe fazem. Querem entregá-lo, em definitivo, para que o mundo político o condene. 

JULGUEM-NO 

A resposta de Pilatos é profundamente inspirada, diante daqueles homens que conduzem à sua presença uma criatura magnânima, de quem o pretor já tivera as mais surpreendentes notícias. Sabe que Ele não é um agitador político. 

Não se constitui numa ameaça ao Império Romano e, pelas informações que detém, sabe-se frente a um homem preso em virtude da condenação dos membros do sinédrio, e que a massa popular que o havia recebido em Jerusalém, com palmas e flores, pede agora o seu imediato julgamento, apenas para confirmar a sentença proferida pelos sacerdotes do templo. 

Considera Jesus apenas um ardente visionário. Recorda-se de que Cláudia, a sua esposa, sonhara que uma voz lhe recomendava que ele não deveria arriscar a sua responsabilidade no julgamento daquele homem justo. (98) 

Redargui Pilatos, então, aos que pediam o julgamento do Mestre: “— Tomem-no os senhores e julguem-no segundo a sua lei”. 

Pilatos, se fosse julgar a Jesus, deveria ater-se aos códigos de justiça vigentes na sua época e que, como todos os códigos destinados a reger direitos e deveres dos homens, não iam além das coisas mais primárias e singelas no tocante a relações humanas.  

Se julgassem o Cristo, porém, segundo as leis herdadas dos Patriarcas e Profetas, Ele estaria sendo examinado dentro de princípios que transcendem os tribunais comuns, para ser apreciado, em seus atos, segundo a lei de misericórdia do Pai. 

Paulo de Tarso, alguns anos após este encontro, consagrou a sabedoria de Pilatos, que aconselhava a que as divergências entre os religiosos não viessem aos tribunais humanos. (99) 

Aventura-se um cristão redivivo, ao ter uma divergência com o outro, a submetê-la a juízo perante os injustos e não perante os que detenham o bom-senso e os princípios da própria fé? Não sabemos que o juízo do Pai é que julga o mundo? 

Se o mundo, na ação dos cristãos, será julgado pelo bem que conduzem, deveríamos considerá-los indignos de julgar as coisas mínimas? 

Quando temos que julgar negócios terrenos, constituímos um tribunal daqueles em que a corrupção, a venalidade, a sentença determinada pela força da moeda, são a manifestação do próprio mundo que queremos ver reformado. 

Não há, porventura, nenhum sábio entre nós, que possa proceder ao julgamento, no seio dos próprios seguidores do Senhor? 

Irá um irmão a juízo contra outro irmão? 

O só existir, na comunidade dos cristãos, demandas, já é uma completa derrota do exercício do “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”, sendo preferível, por isso, suportar as injustiças, que tornar a luta um caso levado aos tribunais humanos. 

Os corações petrificados, sob a inspiração de seus interesses pessoais, distantes de toda e qualquer manifestação da Justiça Divina, apenas responderam, numa revelação de seu julgamento antecipado do Senhor:  “— A nós não nos é lícito matar alguém”. 

É que, entre algumas das poucas restrições impostas pelos dominadores romanos ao povo judeu, o sinédrio não dispunha do poder de condenar à morte no território da Judeia. Jesus, por isso, já estava condenado, pelos seus. 

Buscavam a autorização, junto ao pretor, não para julgá-lo segundo a sua lei, já que esta, sem ser a lei escrita de Profetas e Patriarcas daquele povo, mas exprimindo-se pelo interesse dos homens, já havia proferido a condenação. 

Até hoje, portanto, a prática tem sido essa. 

Aceita-se o Cristo, no tanto quanto os seus ensinamentos não nos contradigam. Tão logo, porém, os seus exemplos de amor se conflitem com o nosso acanhado mundo mental, revolvendo nossos interesses menores, o conduzimos já sentenciado diante do mundo, para pedirmos que nos concedam o direito de anulá-lo, como se tal fosse possível.  

Apostila do Evangelho de João

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