Qui, 21 de Março de 2019
Rua Delfino Facchina, 61 (Cidade Ademar) - Americanópolis - São Paulo/SP - CEP 04409-080
Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 
Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 

Mediunidade

Diversidade dos Carismas

Diversidade dos Carismas
Autor: Hermínio C. Miranda


Atualizado: 21/03/19

235 - CAPÍTULO XVI
SEMIOLOGIA DA COMUNICAÇÃO
12. GUIAS E CONTROLES - RELACIONAMENTO COM OS MÉDIUNS – P6

É muito conhecida, no Brasil, a atuação dos guias e controles que se identificam como índios, caboclos, pretos-velhos, vovós ou crianças, especialmente, mas não exclusivamente, na área da umbanda. É aspecto esse que considero, pessoalmente, com grande respeito mas, sobre o qual não me sinto preparado para discorrer, mesmo porque existe ampla literatura a respeito, de autoria de pessoas mais bem-informadas no assunto do que eu.

É bom lembrar, ainda, que controles em geral, e não especificamente guias, nem sempre são entidades desencarnadas, o que quer dizer que podem ser espíritos que se acham encarnados.

Embora sem condições de assumirem tarefas que exijam maior quota de presença e participação, podem, contudo, manifestar-se com alguma regularidade.

O Dr. Fodor lembra que quem primeiro chamou a atenção para esse aspecto foi Allan Kardec, simultaneamente com o juiz Edmonds, nos Estados Unidos. Cita o Dr. Fodor um artigo do juiz sobre o assunto, na publicação Spiritual Tracts, de 24 de outubro de 1857. A manifestação ocorreu através de sua própria filha, Laura, que funcionava como médium.

Edmonds conhecia a pessoa, mas não a via há cerca de quinze anos. Diz ele que a identificação foi perfeita, à vista de vários elementos de indiscutível autenticidade. O juiz concluiu, obviamente, que o seu amigo estava já desencarnado, mas verificou, mais tarde, que ele continuava muitíssimo bem 'vivo'; acrescenta ele que vários outros episódios, da mesma natureza, consolidaram sua convicção na realidade do fenômeno.

Muitos outros casos aparecem narrados em livros como Seen and unseen, de E. K. Bates, Animismo e Espiritismo, de Aksakof. There is no death, de Florence Marryat, e tantos outros que o Dr. Fodor cita na sua extensa pesquisa sobre esse aspecto particular da fenomenologia mediúnica.

Não há, pois, como deixar de simpatizar com o desalento de Colin Wilson, quando se queixa da dificuldade de conceituar, definir e catalogar fenômenos psíquicos (humanos, em geral, diria eu). Aí está um fenômeno hibrido e complexo. Temos visto aqui, neste livro, que nem todas as manifestações resultam de puro exercício da faculdade mediúnica.

Vimos espíritos que funcionam como médiuns de outros espíritos. Como podemos observar, há seres encarnados que se manifestam como espíritos, através de sensitivos encarnados. Como conceituar este último caso?

O espírito encarnado que se desdobra para manifestar-se alhures está produzindo um fenômeno anímico de desdobramento e deslocamento espacial para ir ao encontro de um médium e, simultaneamente, um fenômeno mediúnico, pois funciona como entidade desencarnada que, muitas vezes, nem se identifica (ou sabe, conscientemente, que ali esteve).

De outras vezes, o espírito encarnado atua através de seu próprio organismo, também como espírito, na plena posse de seu potencial, de sua experiência, de seus conhecimentos acumulados ao longo de muitas existências. Isto pode ocorrer quando fala em regressão da memória, desdobrado, quando escreve por psicografia anímica, por inspiração, ou desenha, pinta, etc. ...

Este aspecto foi percebido com extrema acuidade por Frederick W. Myers que, em sua obra acerca da sobrevivência humana, Human personality and its survival after codily death, tem isto a dizer:

“O gênio mais completo seria, assim, a expressão da auto possessão mais completa, da ocupação e comando do organismo todo pelos elementos mais profundos do eu, que atuam com o apoio de um conhecimento mais perfeito e através de canais de comunicação mais seguros.” (Myers, Frederick W. M., 1920).

Páginas adiante, já na conclusão, reitera ele essa interessantíssima observação ao declarar que:
“O gênio, como dissemos, resulta de uma espécie de clarividência exaltada, mas não desenvolvida. A invasão subliminar que inspira o poeta ou o músico proporciona-lhe uma percepção profunda, mas vaga, desse mundo invisível, no qual o vidente ou médium percorre com a visão mais limitada, porém mais precisa”. (Idem).

Entendia, portanto, o eminente pesquisador britânico que a genialidade se torna manifesta quando o espírito encarnado consegue vencer e dominar o organismo a ponto de fazê-lo dócil instrumento da experiência e saber de que dispõe nas amplitudes da sua memória integral.

Não, leitor, não estamos fugindo ao tema deste módulo, ou seja, o do controle. Estamos falando do espírito encarnado que assume o controle do seu corpo, não apenas no sentido de mantê-lo em bom funcionamento de rotina, mas para expressar-se através dele, como o faria um médium encarnado. Para que utilizar um médium, se ele dispõe de seu próprio corpo e sabe como utilizá-lo adequadamente?

Enfim, são amplas as especulações, mas já é tempo de colocarmos um ponto final antes que o capítulo vire um novo livro por si mesmo porque o autor perdeu, sobre o assunto, o controle que deveria ter mantido.
 

Livro dos Médiuns