Qui, 21 de Fevereiro de 2019
Rua Delfino Facchina, 61 (Cidade Ademar) - Americanópolis - São Paulo/SP - CEP 04409-080
Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 
Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 

Mediunidade

Diversidade dos Carismas

Diversidade dos Carismas
Autor: Hermínio C. Miranda


Atualizado: 21/02/19

231 - CAPÍTULO XVI
SEMIOLOGIA DA COMUNICAÇÃO
12. GUIAS E CONTROLES - RELACIONAMENTO COM OS MÉDIUNS – P2

Mesmo o Dr. Fodor - que se coloca na postura de cientista e pesquisador, e não de espírita - observa que:
"É certo que as qualidades morais do médium, exercem importante papel. Se a mente e os objetivos do médium são puros, se ele ora pedindo ajuda, ou se solicita aos seus bons amigos espirituais que o orientem, parece que a solicitação é atendida. (Fodor. Nandor. 1969.)

Acha, contudo, o Dr. Fodor que nem sempre são do melhor gabarito, os que se propõem servir como guias ou controles, e parece até que eles disputam a oportunidade de fazê-lo. De minha parte, entendo a situação de outra ótica.

A disputa pode ocorrer e ocorre até com significativa frequência, não, porém, entre guias que estejam a disputar um cargo (ou encargos entre espíritos cujas intenções são, no mínimo, discutíveis, em agressivos assédio ao sensitivo.

Ainda mais que sabemos que não poucas mediunidades apresentam, de início, sob vigorosa pressão perturbadora de espíritos desajustados. Muitos são os médiuns que pagaram elevado pedágio obsessivo antes de alcançarem condições satisfatórias para o eficiente e equilibrado de suas faculdades.

Em algumas frases, o Dr. Fodor traça um sumário perfil dos controles dizendo que, por muito experientes que sejam, guardam certas limitações vezes, precisam consultar outros companheiros a fim de responder as questões mais complexas ou fora do alcance de seus conhecimentos. Isto é verdadeiro.

Como escreveu Kardec, os espíritos não são mais do que seres humanos desencarnados e, por isso, não se convertem em sábios ou santos no momento seguinte ao da morte do corpo físico.

Na própria codificação, encontramos questões que, mesmo as entidades que compunham a equipe do Espírito de Verdade, declaram, com a singeleza pura da grandeza, desconhecer ou não ter como explicar, pela carência de terminologia ou de conhecimentos adequados por parte dos encarnados.

São pacientes e sempre dispostos a ajudar, mas, na expressão do Dr. Fodor, "não acatam ordens e gostam de ser tratados com cortesia". Criam, usualmente, uma atmosfera de religioso respeito, mas nem todos se apresentam como pessoas de santa disposição.

Walter, controle da médium Margery, não hesitava em despachar uns tantos palavrões, se algo o desagradava de maneira especial, ou de mandar às favas os que o atormentassem com perguntas impertinentes. Conta Fodor que uma dessas irritações deu-se com Houdini, que o acusou de estar fraudando. Walter despejou sobre o mágico um monte de maldições, em linguagem 'imprintable', ou seja, impublicável.

O controle da Sra. Travers-Smith, que se identificava como um antigo sacerdote egípcio, ao tempo de Ramsés II, também praguejava e xingava à vontade, quando as coisas, no seu entender, não corriam bem ...

Outro controle da Sra. Travers-Smith, de nome Peters, e que se servia do grupo para promover suas próprias experiências, era excelente para criar testes para as suas pesquisas, mas, quanto ao seu caráter, ainda segundo Fodor, não era, como se diz, flor que se cheirasse.

Às vezes, os Controles se especializam em determinadas tarefas: um para trabalhos de efeitos físicos, outro para psicografia, e assim por diante, bem como para este ou aquele assunto.

Um espírito que se identificou como Cristo d'Angelo, junto de um médium de nome Rossi declarou que só dispunha de poderes com a voz, ou seja, trabalhos de psicofonia.

A observação é de profundo interesse por duas razões importantes: primeiro, porque vemos um espírito que expõe, honestamente, suas próprias limitações, transmitindo aos médiuns uma lição, não apenas de humildade, mas de não pretender desempenhar tarefas que não estão ao seu alcance ou não se acham incluídas na sua programação; segundo, porque nos leva à evidência - nem sempre reconhecida e comentada - de que há espíritos que funcionam como médiuns de outros espíritos.

Destaquemos este último aspecto para um comentário mais extenso. Mais uma vez, há que fazer uma distinção que nos propicie uma interpretação mais nítida dos complexos aspectos aqui envolvidos.

O fato de funcionar o controle, ou guia espiritual do médium, como intermediário para certas comunicações, não quer dizer que todos eles operem como médiuns, no sentido habitual da palavra. Muitos deles apenas captam as emissões de pensamento de um companheiro espiritual e as retransmitem ao médium encarnado para que este possa convertê-lo em palavras escritas, faladas ou símbolos.

Embora isso não deixe de ser uma intermediação, não representa, a rigor, uma forma de mediunidade tal como a conhecemos, se ficarmos adstritos ao conceito de que o médium é aquele que serve de intermediário entre os seres desencarnados e os encarnados.

Há, contudo, exemplos bem caracterizados de espíritos que não apenas descrevem o que estão captando de outros espíritos, mas funcionam mesmo como médiuns de tais companheiros, servindo de ponte psíquica àquele que não tem condições de se utilizar de um médium encarnado a fim de alcançar, com seu recado, outros seres encarnados. (Não é este, creio eu, o caso de Emmanuel, que parece criar condições para que próprio espírito transmita o seu pensamento ao Chico, em vez de utilizar-se de Emmanuel como médium).
 

Livro dos Médiuns