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Mediunidade

Diversidade dos Carismas - Hermínio C. Miranda

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Atualizado: 18/07/19

252 - CAPÍTULO XVIII
DESENVOLVIMENTO
5. LIXO MENTAL – P1

Médiuns e demais participantes de grupos e centros queixam-se, às vezes, de que é difícil concentrar porque, mal conseguem aquietar a mente por alguns momentos, começam a surgir pensamentos e imagens indesejáveis, de baixo teor. É outro aspecto sobre o qual convém dizer uma palavra específica. Recorro, para isso, a um texto de minha autoria, publicado em Presença Espírita, de Salvador, BA, em maio/junho de 1984 e que se intitula Lixo mental.

Um amigo e confrade que trabalha no mundo mágico dos computadores chamou minha atenção, há tempos, para uma expressão do jargão cibernético que circula entre os seus técnicos, algo assim como: 'de onde entra lixo só pode sair lixo'. (Miranda, Hermínio, 1984)

Isto significa, naturalmente, que o computador dá exatamente aquilo que recebe, ou seja, ele responde dentro dos dados confiados à sua memória, segundo a programação nele instalada. Não inventa, nem cria; apenas analisa, compara e escolhe, como lhe foi ensinado. Só que faz isso com fantástica paciência e numa velocidade que não podem os seres humanos imitar.

Mesmo assim, dizia-me um instrutor especializado, nos Estados Unidos, na remota década de cinquenta, quando lá estive em trabalho e estudo, que o computador (que começava a engatinhar) era um instrumento burro (stupid)... Um burro muito veloz, mas, ainda burro.

Queria dizer com isso que o computador não tem capacidade criadora, a sua inteligência artificial fica dentro dos limites dos dados com os quais foi alimentada a sua memória, e sua eficiência depende, ainda, da sua capacidade de processamento e da competência de seus programadores humanos.

Se, portanto, os técnicos que o manipulam, alimentarem tais memórias com dados sobre a melhor maneira de destruir uma cidade, a máquina responderá, como lhe foi pedido, sem o menor remorso ou escrúpulo.

Vimos, na inteligente fantasia de Arthur Clarke, no filme 2001. Uma odisseia no Espaço, que o computador executa com a maior frieza e precisão o comando programado para eliminar a tripulação humana, caso esta criasse, como criou, qualquer dificuldade ao exato cumprimento da missão espacial em que estavam empenhados.

No momento em que a máquina percebe o sinal de rebeldia, entra em ação o programa assassino. Ela simula um defeito e obriga a saída dos dois astronautas. Logo que eles se encontram lá fora, em pleno espaço, ela comanda o fechamento das escotilhas para impedir que retornem ao interior da nave.

Que eles morram lá fora da maneira mais horrenda não é problema que a preocupe.
Cabe-lhe, apenas, executar ordens, segundo um programa que ela não tem condições de discutir nem desobedecer, ou ponderar aspectos éticos, a não ser que, para isso, seja também programada, o que não era o caso ali. Não é para eliminar os dois homens? Qual a dúvida?

Cumpra-se. Feito isso, seriam descongelados os seres hibernados, dentro da nave e tudo prosseguiria como se nada houvesse ocorrido.

É por isso que dizem que, se entrar lixo nele, só pode sair lixo, da mesma forma que, se for programado para dizer qual o melhor procedimento para ganharmos o Reino dos Céus, ele o fará, com a mesma competência e a mesma indiferença, aliás.

Também nós somos computadores. Superinteligentes e dotados de livre-arbítrio, programados para alcançar a paz e a felicidade totais, que o Cristo caracterizou como o Reino de Deus, explicando muito bem que esse Reino já está em nós, cabendo-nos, apenas, realizá-lo.

Chegaremos lá, portanto, um dia. O único problema grave aí é que permitimos a entrada de uma quantidade espantosa de 'lixo mental' em nossas memórias e, por isso, a cada passo, o programa se desvia e acarreta atrasos imprevisíveis e lamentáveis, seculares, milenares até.

Que tipo de lixo mental? Tudo quanto você possa imaginar: ódio, vingança, crueldade, hipocrisia, insanidade, intolerância, indiferença... A lista é assustadora e arrasadora. E voluntárias as nossas opções.

Nem sempre, contudo, a gente percebe que está colocando lixo na memória. Por exemplo: uma leitura perniciosa, um filme pornográfico, anedota inconveniente, uma notícia escandalosa no jornal ou na TV cena chocante na rua que, em vez de passar ao largo, vai ver de perto, para 'conferir'. Enfim, inúmeros atos de verdadeira morbidez espiritual, por melhor que sejam as intenções.

Digamos que você seja espírita e que frequente um grupo mediúnico sério e devotado à tarefa do socorro espiritual.
É bem provável que, no momento crítico em que toda a sua atenção e concentração estão sendo exigidas e para levar a bom termo a tarefa coletiva, comecem a emergir dos recessos da memória certas cenas deprimentes, vistas ou lidas. A essa altura, já se cortou o fio da sua ligação com o trabalho.

Em vez de servir aos que precisam de sua ajuda, você passa a dar trabalho aos mentores espirituais do grupo.
Eles precisam construir imediatamente um círculo de isolamento em torno de você para que, além de não ajudar, você, pelo menos, não atrapalhe. É que sua memória começou, de repente, a regurgitar o lixo que você colocou lá. E, como era de se esperar, nos momentos mais inoportunos.

Coincidência? Nada disso. Espíritos desarmonizados deram, aí, sua contribuição para que, no momento crítico, você fosse neutralizado. Basta induzir um mergulho em imagens prejudiciais à tônica da tarefa socorrista, que exige de nós, pelo menos enquanto estamos ali, certa dose de renúncia e um mínimo de pureza. Como poderá haver pureza se o lixo mental está acumulado nas memórias de nosso computador pessoal?
 

Livro dos Médiuns