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Apostila do Evangelho de João

Conteúdo dos Evangelhos




Atualizado em: 13/01/2026

Livro: Jesus, o bom pastor – cap. 9 a 11 

9- Cap.9- A cura do cego de nascença (9: 1 a 12) 

A.36- Cura cego nascença 

Texto do Evangelho de João: 

9:1 Ao passar, viu um homem cego de nascença. 9:2 E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Rabbi1, quem pecou, ele ou seus genitores, para que fosse gerado2 cego? 9:3 Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus genitores, mas para que fossem manifestadas nele as obras de Deus. 9:4 É necessário realizarmos3 as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar4. 9:5 Enquanto estiver no mundo, sou luz {a} do mundo. 9:6 Ao dizer estas {coisas}, cuspiu na terra, fez barro5 com a saliva, e aplicou6 o barro sobre os olhos dele. 9:7 E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloam7, que interpretado é “Enviado”. Então, {ele} partiu, se lavou e voltou vendo. 9:8 Então os vizinhos e aqueles que o viam, porque era pedinte8, diziam: Não é este o que ficava sentado mendigando? 9:9 Uns diziam: É este. Outros diziam: Não, mas é semelhante a ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu. 9:10 Diziam-lhe, portanto: Como os teus olhos foram abertos? 9:11 Ele respondeu: O homem chamado Jesus fez barro, aplicou em meus olhos e me disse: Vai ao {tanque de} Siloam e lava-te. Assim, depois de partir e me lavar, 9recobrei a visão. 9:12 Disseram-lhe: Onde está ele? {Ele} diz: Não sei.  

Comentários sobre o texto: 

Jesus revela, neste capítulo, um outro ângulo da reencarnação. A imersão no sanatório da carne, além de provas, expiações e outros efeitos da lei de causa e efeito, igualmente é laboratório da alma, para novas e maiores conquistas. 

E surge, simultaneamente, a presença do bom-senso num homem comum do povo, evidenciando que a coragem da fé e o raciocínio dentro da lógica divina são heranças de reencarnações anteriores. 

Dividimos o capítulo, no entanto, em três partes que se relacionam entre si, formando um todo uniforme, visando a analisar cada situação e cada ocorrência em separado, para que compreendamos melhor todos os princípios desvendados. 

Lembramos que, em todos os capítulos com suas divisões, após lê-los, valerá uma nova leitura para dominar o conjunto e para aprofundar-se na sua significação e, ao mesmo tempo, para você extrair as suas conclusões e adicionar a sua interpretação. 

Antes do Espiritismo, as afirmações iniciais, contidas nesse trecho, eram interpretadas tendenciosamente pelas tradições que se suponham existir entre os judeus, com relação à origem de enfermidades e de desgraças, que seriam atribuídas a uma vida pecaminosa da própria pessoa ou de seus pais. 

Após a Doutrina dos Espíritos isso já não tem valor. 

Somente através de frágeis artifícios, que não resistem a quaisquer elementares ensaios de análise, é que se poderá falar em crença arraigada nos rabinos judeus para justificar a pergunta dos discípulos de Jesus e sua resposta direta. 

Adentremos, portanto, ao tema em si. 

CAMINHANDO JESUS 

A primeira informação de João Evangelista, neste capítulo, faz-se com: “Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença”. 

— E que tem de importante o fato de João informar que Jesus percorria um caminho a pé?  

Se fosse para produzir uma informação dessa natureza, ou seja, de que Jesus percorria um caminho a pé, não haveria maior significação. Sabendo-se, porém, que o Evangelho não é uma obra literária comum, descritiva do que fez Jesus, teremos de compreender que o “caminhando Jesus”, tem o outro significado de caminhar. 

Caminhar, assim, é pôr-se em movimento, avançar, adiantar-se. Punha-se, pois, Jesus numa conduta em que iria adiantar, avançar algumas informações inovadoras, tomando como componente essencial da nova lição “um homem cego de nascença”. 

No Evangelho, relembramos, tudo tem significação espiritual. 

Observe, paralelamente, que o verbo ver, além de ter o sentido de “perceber pela visão”, tem o de estudar e, consequentemente, poderemos reproduzir essa primeira informação de João, com a seguinte tradução espiritual: 

“Adiantando-se Jesus para novas lições da Vida, estudou um cego de nascença”. 

O PECADO DO HOMEM 

Os discípulos de Jesus, que o acompanhavam recolhendo as suas lições diárias, diante do homem cego de nascença, que seria o objeto dos conhecimentos novos, indagaram do Mestre: 

“— Mestre, foi pecado desse homem, ou dos que o puseram no mundo, que deu causa a que ele nascesse cego?”. 

Esta era a primeira questão!  Anote que, para os discípulos do Senhor, a lei da reencarnação era relativamente conhecida, tanto que buscavam esclarecer-se se aquele cego de nascença tivera a raiz de sua desgraça em sua vida anterior ou se a sua enfermidade se derivava dos erros de seus próprios pais. 

Os erros dos pais, naturalmente, não podem determinar o sofrimento de seus próprios filhos, já que seria injusto alguém, inocente, pagar pelos pecadores. 

A indagação central dos discípulos, porém, dirigia-se para o exame da causa espiritual da enfermidade, buscando a raiz de onde se originava o mal que o cego de nascença experimentava. Faziam eles a solicitação para que o Mestre consultasse os arquivos da Espiritualidade Superior, detendo-se nas vidas anteriores do enfermo a fim de esclarecê-los com propriedade. 

E qual foi a informação de Jesus? Disse-lhes, acaso, que o homem não poderia ter pecado antes de ter nascido?  Seria essa a informação correta se não existisse vida anterior. 

O Mestre, que jamais desdenhara uma só oportunidade para retificar juízos incorretos, em relação à Ordem Divina, não deixaria de retificar a indagação de seus discípulos, corrigindo-lhes um eventual desvio da realidade. 

Acata-lhes, porém, a intuição sobre vidas anteriores, de cujos erros o homem sofre consequências amargosa nas vidas posteriores, e diz-lhes, nada mais, nada menos que o seguinte: 

“— Não é por pecado dele, nem dos que o puseram no mundo, mas, para que nele se patenteiem as obras do poder de Deus”. 

— Ele estava confirmando a reencarnação... 

Além de confirmá-la, estava a demonstrar que nem sempre o sofrimento numa encarnação reflete, necessariamente, erros de reencarnações anteriores. 

Isso não é significativo avanço de conhecimento? 

Comumente, quando nos fazemos amigos dos estudos da Doutrina Espírita, sempre que vemos alguém em sofrimento ou que seja portador de um mal congênito, a nossa imaginação pode avançar na direção das causas anteriores das aflições vividas neste mundo, inquietando-nos em descobrir que erros poderiam ter sido praticados, cujos resultados fossem a dor da presente encarnação. 

Jesus revela-nos, porém, outra causa de dor: a dor-missionária. 

Aliás, Ele próprio foi um exemplo da dor-missionária já que, não tendo pecado algum, não tendo cometido erro algum, foi alçado na cruz, num ato de injusto e falso julgamento, experimentando a morte infamante em decorrência do estado mental dos homens, aos quais viera socorrer e amparar.  

Há dor-expiação quando purgamos o nosso passado, reajustando a própria consciência através de vivenciar em nós mesmos a inquietação e os males que infligimos a nossos semelhantes. 

Há dor-provação, em que testamos as nossas mais caras conquistas no campo do espírito, interiorizando virtudes, em definitivo, no terreno de nossa alma, a fim de alçarmos voos para conquistas mais altas. 

E há dor-missionária, em que o homem serve ao Pai Celestial, como instrumento da manifestação de seu amor por todos os seus filhos em lutas evolutivas, contribuindo decisivamente para a redenção da alma humana. 

Eis um novo ângulo a rogar-nos por reflexões.  

ENQUANTO É DIA 

Jesus estava diante da dor-missionária. No seu contato direto com as criaturas, evidencia que se deve aproveitar sempre o ensejo de edificar a obra Divina, nas oportunidades que a própria Vida elabora. 

Aí não é o momento de falar das leis divinas. O instante é sagrado para corporificá-las e Ele diz:  “— Convém que eu faça as obras d’Aquele que me enviou, enquanto é dia; vem depois a noite, na qual ninguém pode fazer obras”. 

Demonstrando que as leis divinas não pedem apenas a exaltação das palavras, as lições do verbo, as expressões dos discursos, Ele nos alerta que “convém que eu faça as obras d’Aquele que me enviou”. Fazer é mais convincente que simplesmente referir-se. 

Enquanto é dia de oportunidade para fazer as obras, não nos detenhamos no serviço singelo de exaltá-las verbalmente, porque depois vem a noite das não-oportunidades, na qual somos levados a meditar sobre o que não fizemos, sem oportunidade para fazê-lo. 

Jesus induz ao ato concreto, ao faça e não ao fale. E, complementarmente, adiciona o aviso: “— Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”. 

Isso também é definitivo e poderá ser traduzido em: — Enquanto estou no mundo interior de cada criatura, sou, na expressão e lições das leis divinas que lhe transmiti, a luz desse mundo interior, sob a qual vocês devem fazer o bem, no contato com o seu semelhante. 

Os que trazem, por certo, o seu coração iluminado pelo Evangelho redentor, devem empenhar-se em refletir a luz divina de Jesus a benefício dos companheiros da vida material, onde quer que estejam, através das obras santificadas que o Mestre exemplificou. 

E as circunstâncias adversas são as mais favoráveis. 

Onde outros estancam, remoendo indagações sobre as razões da dor, aja você, de pronto, de imediato, transfigurando o quadro de sofrimento em mensagem do poder de Deus e de sua infinita misericórdia, enquanto é o dia de sua oportunidade de trabalho no campo do bem. 

LAMA 

Sou a luz do mundo — dissera Jesus. Em seguida, descreve João na composição de um profundo simbolismo, “cuspiu no chão e, havendo feito lama com a sua saliva, ungiu com essa lama os olhos do cego e lhe disse: Vá lavar-se no tanque de Siloé”. 

— E isso é símbolo e não um fato? Não está aí a prova do fluido curativo? 

Kardec que, em A Gênese, (54) estudando esta cura, termina destacando: 

“Quanto ao meio empregado para a sua cura, evidentemente aquela espécie de lama feita de saliva e terra nenhuma virtude podia encerrar, a não ser pela ação do fluido curativo de que fora impregnada. É assim que as mais insignificantes substâncias, como a água, por exemplo, podem adquirir qualidades poderosas e efetivas, sob a ação do fluido espiritual ou magnético, ao qual elas servem de veículo, ou, se quiserem, de reservatório”.   

Este, contudo, é um ângulo da questão. 

Transcendendo, porém, às cogitações da química dos fluidos e de sua ação regeneradora, comprovadíssima, nas mais diversas anomalias orgânicas e perispirituais — estamos buscando o sentido espiritual contido no ato de nosso Mestre. 

O chão, aqui, significa a contribuição generosa da Escola Terrena, para o desenvolvimento do Espírito, em suas lutas evolutivas, provendo o homem do que lhe seja elementar para a consolidação de suas conquistas eternas. 

A saliva do Cristo, que transformou a terra em lama, é bem a fertilização divina dos recursos da Terra, simbolizando a perene união da Espiritualidade Superior com o campo de experiências para o desabrochar dos espíritos, visando a assegurar-lhes a visão espiritual necessária para recolher a luz que ilumina o mundo. 

E, como derradeiro componente, o esforço que caberá ao homem interessado em “ter a visão espiritual”, de buscar o concurso do Enviado do Pai Celestial, simbolizado no Tanque .do Siloé, para lavar-se de suas imperfeições e, somente então, voltar vendo o Cristo. 

Jesus não maldiz a Terra! 

Longe de catalogá-la por presídio infamante, estância de almas caídas, local de exílio de almas torturadas pelos seus erros, região de dores e sofrimentos, plano de meras expiações e resgates dolorosos, recanto de sombras e tormentas — Ele nos demonstra que, doando à Terra o que houver de mais sagrado em nosso coração, ela se transfigura no sanatório da alma, no hospital dos enfermos, no portal de nossa redenção espiritual. 

Essa é a Terra que devemos amar! 

A sua lama é o berço da sementeira divina, descerrando a cegueira a que nos imantamos, para permitir-nos um encontro definitivo com Aquele que detém os princípios da Vida Eterna.  

Os ensinamentos do Mestre Jesus, no curso dos milênios vindouros, se desdobrarão à nossa visão sempre num crescendo de significação, mostrando-nos todas as leis espirituais que nos regem a vida. 

Algumas passagens que, neste momento de nossa evolução espiritual, possam parecer-nos obscuras, se tornarão claras à medida que se ampliar o mundo de nossa inteligência, à proporção que a nossa cultura deixar a placenta, em que se encontra, nascendo para a Luz Espiritual que ilumina a nossa existência. 

DIZIAM 

O nosso plano ainda é de interpretações individuais. João, neste trecho do seu Evangelho, destaca que cada um, diante das operações regeneradoras do Mestre, afirma ou desafirma das coisas de acordo com o seu estágio espiritual. 

Veja o fato nas reações provocadas com a cura do cego: “Seus vizinhos e os que o viam pedir esmolas diziam: — Não é este o que estava assentado e pedia esmola? Uns respondiam: — É ele! Outros, porém, diziam: — Não, é um que se parece com ele. O homem, contudo, lhes dizia: — “Sou eu mesmo”. 

A qualquer alteração, para melhor, de sua posição espiritual diante da vida, haverá aqueles que reconheçam que você se transformou, enquanto outros querem negar o seu novo estado, buscando confundi-lo. 

Mas, se você estava asserenado na sua dor, se você suportava com resignação os seus sofrimentos, se você não se rebelava com inquietações no decurso das provas e expiações, não se atribule diante das opiniões conflitantes do mundo. 

Afirme a sua nova individualidade, iluminada por Jesus: — Sou eu mesmo! 

ESTOU VENDO 

Jesus sempre recomendou prudência nas afirmações. Há fatos que, enquanto não foram cogitados ou questionados pelos nossos semelhantes, não devem ser postos à mesa de discussões, para que não violentem convicções alheias e, ao mesmo tempo, para que não sirvam de prato aos ironistas e galhofeiros de todos os tempos. 

Não cogite de coisas santas com imprudência. 

Conquanto o ex-cego despertasse dúvidas em seus companheiros de caminhada, ele confirma a sua própria individualidade, no novo estado em que se encontra, mas não antecipa informações da origem deste quadro mais feliz em que se ajustava. 

Instado, porém, não teme definir-se: “— Como lhe foram abertos os olhos?  

— O homem chamado Jesus fez um pouco de lama e passou nos meus olhos dizendo: Vá à piscina de Siloé e lave-se. Então, fui, lavei-me e estou vendo”.  

Ele não titubeia. Indagado, revela o fato, a origem de seu novo estado, sem entrar em detalhes, sem ensaiar interpretações, sem ir além daquilo que o beneficiou, deixando a seu ouvinte toda a sorte de indagações e questionamentos. Ele fora firme na fé e atendera às recomendações de Jesus. 

ONDE ESTÁ ELE 

Encerrando esta parte do diálogo entre o ex-cego de nascença e aqueles que participavam da vizinhança de sua dor-missionária, eis que João anota uma indagação e uma resposta curta: “— Onde está ele? — Não sei — respondeu o homem”. 

Queremos saber onde está o Senhor, no centro de nossa inquietação.  

Nem sempre, porém, a nossa busca tem o sentido de quem procura a porta de sua libertação espiritual. Amiúde, trata-se de uma preocupação menor, quando desejamos despojar-nos dos pesados fardos de nossas expiações a fim de ganhar liberdade para realizar todas as nossas inclinações menos nobres. 

E onde estará o Mestre? 

Aquele que utilizou as suas lições de vida, para aprender a viver com dignidade e elevação d’alma, por certo conhecerá a sua localização correta, visto que o Mestre sempre está onde se encontra alguém que quer soerguer-se na direção do Pai Celestial pelo exercício do amor ao próximo. 

Onde houver enfermo do espírito, interessado em sua própria redenção, ali estará Jesus na sua condição de Médico Divino das Almas, ofertando a misericórdia da verdade, abrindo o caminho de luz, revelando a vida espiritual. 

O Senhor vem a nosso encontro, quando desejamos encontrá-lo! 

Como virá, contudo, até nós? 

Virá, por certo, através de todos os discípulos da Boa-Nova, que são os intermediários do seu amor, onde quer que estejamos, desde que aspiremos por um dia de Luz Maior em nossos corações. 

Comparecerá, assim, no campo de nossa dor, se queremos renovar-nos. 

— Em vão, porém, o homem procurará localizá-lo na estância de seus desejos tumultuados, nos caminhos de fuga de seus deveres e de seus compromissos, nas inclinações menos felizes de sua alma, porque aí o Senhor não estará a secundar os nossos anseios loucos que resultarão em mais dores e sofrimentos em nossa existência tormentosa.  

 

 

Apostila do Evangelho de João

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