Evangelho
Apostila de Estudos do Evangelho de Lucas

Atualizado em 23/07/2026
CAPÍTULO 7 (Lc 7:1-50)
Aula 79- Se fosse profeta saberia
(Lucas 7:36-39)
7:36 E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; entrando na casa do fariseu, reclinou-se à mesa 7:38 Eis que uma mulher que era pecadora na cidade, sabendo que ele estava reclinado à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, molhava-os com suas lágrimas e enxugava-os com os próprios cabelos, e beijava-lhe os pés e os ungia com unguento. 7:39 Ao ver isto, o fariseu que o convidou disse consigo mesmo: Se ele fosse profeta, bem saberia quem e qual tipo de mulher o tocou, porque é pecadora
Vemos que o fariseu convidou Jesus para a sua casa e não ofereceu a Jesus a hospitalidade que era devida a uma pessoa importante, de quem se gostava muito.
O fariseu duvidou de Jesus e não prestou atenção no ato de humildade e carinho da mulher, apenas lembrou que ela era conhecida pelas suas faltas – talvez fosse uma prostituta.
A mulher não teve pudor e soltou os seus cabelos para enxugar as suas lágrimas que caíam nos pés de Jesus. A mulher que soltasse os cabelos em público era mal-vista, isso era considerado vergonhoso.
Todos nós deveremos abandonar, um dia, as emoções, que são sinal de atraso espiritual. Mas para isso teremos que ter os sentimentos plenamente desenvolvidos. A mulher, ao contrário do fariseu, ainda não abandonou as emoções, mas através das emoções alcança o sentimento. Desenvolve o amor de um modo que o fariseu ainda desconhece por completo.
Isso reforça a lição que já sabemos de que não podemos confiar nas aparências. Um espírito intelectualmente desenvolvido, que conhece a moral, mas não a pratica intimamente, pode ser evolutivamente inferior a um espírito que ainda recentemente cometia muitos erros, mas, pelos sentimentos já desenvolvidos, pela humildade e pelo amor, arrepende-se dos seus erros, conscientiza-se e transforma-se mentalmente.
Acontece com este espírito o que João Batista propunha com o seu batismo. Batismo que quer dizer mergulho. O mergulho dentro de si mesmo, para a conscientização e a mudança de mente, a mudança no padrão de pensamentos.
Aqui novamente Jesus diz “os teus pecados te são perdoados”. Jesus não perdoa a mulher pecadora. Jesus declara que os erros cometidos por ela (o sentido original da palavra pecado é erro) ficaram para trás, foram abandonados. Ela deixou para trás o seu passado de erros.
Ela mesma fez isso, não Jesus. Jesus não seria justo se perdoasse alguns e não perdoasse outros. E como espírito responsável pelo planeta, Jesus é todo Justiça.
Aqui Jesus está nos mostrando o que Pedro irá dizer mais tarde na sua epístola: “O amor cobre uma multidão de pecados” (1Pedro 4:8). O amor transforma o espírito, e o amor colocado em ação liberta dos erros, rearmoniza o espírito com a Lei de causa e efeito.
Jesus ainda diz: “A tua fé te salvou”. Lembramos que o Evangelho foi escrito em grego e que a palavra grega traduzida como fé é pistis, que passou para o latim fides, que quer dizer fidelidade.
O sentido original da palavra fé, como está no Evangelho, é de fidelidade, lealdade, obediência. Fé, aqui, não é crer. Não foi a crença da mulher que a salvou. Nem a crença em Deus, nem a crença em Jesus. Isso seria uma distorção do sentido com que a palavra fé foi usada por Jesus.
O que salvou a mulher foi a fidelidade às Leis de Deus, a obediência à consciência, que é onde estão gravadas as Leis de Deus, ou seja, o que a salvou foram os seus pensamentos, palavras e ações. Lembramos que o apóstolo Tiago disse que a fé sem obras é fé morta (Tiago 2:26), ou seja, não existe. Fé é fidelidade, lealdade, obediência.
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Evangelho Segundo o Espiritismo
Jesus dirigia-se sobretudo aos pobres e aos deserdados, porque são eles os que mais necessitam de consolação; e aos cegos humildes e de boa-fé, porque eles creem possuir toda a luz e não precisar de nada. (Ver Introdução: Publicanos, Peageiros).
Estas palavras, como tantas outras, aplicam-se ao Espiritismo. Às vezes admira-se de que a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, e por isso mesmo, capazes de a empregarem mal. Parece, costuma-se dizer, que uma faculdade tão preciosa deveria ser atributo exclusivo de pessoas de maior merecimento.
Digamos, de início, que a mediunidade é inerente a uma condição orgânica, de que todos podem ser dotados, como a de ver, ouvir e falar. Não há nenhuma de que o homem, em consequência do seu livre-arbítrio, não possa abusar.
Ora, se Deus não tivesse concedido a palavra, por exemplo, senão aos que são incapazes de dizer coisas más, haveria mais mudos do que falantes. Deus outorgou as faculdades ao homem, dando-lhes a liberdade de usá-las como quiser, mas sempre aqueles que delas abusam.
Se o poder de se comunicar com os Espíritos só fosse dado aos mais dignos, qual aquele que ousaria pretendê-lo? E onde estaria limite da dignidade e da indignidade?
A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os Espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico: os virtuosos, para os fortalecer no bem; e aos viciosos, para os corrigir.
Estes últimos não são os doentes que precisam de médicos?
Por que Deus, que não quer a morte do pecador, o privaria do socorro que pode tirá-lo da lama? Os Bons Espíritos vêm assim em seu auxílio, e seus conselhos, que ele recebe diretamente, são de natureza a impressioná-lo mais vivamente, do que os recebesse de maneira indireta.
Deus, na sua bondade, poupa-lhe a pena de ir procurar a luz à distância, e a mete nas mãos. Não será ele bem mais culpado, se não atentar para ela?
Poderia recusar-se com a sua ignorância, quando ele mesmo escreveu, viu com os próprios olhos, ouviu com os seus ouvidos e pronunciou com sua própria boca a sua condenação?
Se ele não aproveitar, então será punido com a perda ou a perversão da sua faculdade, de que os maus Espíritos se apoderarão, para o obsedar e enganar, sem prejuízo das aflições comuns com que Deus castiga os servos indignos e os corações endurecidos pelo orgulho e o egoísmo.
A mediunidade não implica necessariamente as relações habituais com os Espíritos superiores.
É simplesmente uma aptidão, para servir de instrumento, mais ou menos dócil, aos Espíritos em geral. O bom médium não é, portanto, aquele que tem facilidade de comunicação, mas o que é simpático aos Bons Espíritos e só por eles assistido.
É neste sentido, unicamente, que a excelência das qualidades morais é de importância absoluta para a mediunidade.
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Emmanuel nos diz, no livro Luz no Lar, que no tempo de Jesus, com exceção das nobres do Império, quase todas as mulheres sofriam extrema degradação, eram convertidas em verdadeiros animais de cargas, quando não eram vendidas em praça pública.
Entretanto, foram as mulheres que se deixaram tocar mais profundamente pelos apelos divinos e foram tão leais a Jesus; mesmo nas que haviam descido ao vale das perturbações, como Maria Madalena, encontramos o mais alto testemunho de reerguimento moral, das trevas para a luz.
Atraídas pelo amor puro de Jesus conduziam à presença do Senhor os aflitos, os mutilados, os doentes, as criancinhas; mesmo não tendo a oportunidade de participarem do grupo de apóstolos de Jesus, foram as únicas que demonstraram solidariedade ao Mestre na hora do martírio e o visitaram sem medo sob a cruz, enquanto os próprios discípulos saiam correndo de medo.
Depois da morte de Jesus muitas mulheres juntaram-se aos apóstolos levando seus exemplos.
Dorcas, a costureira Jopense, depois de receber ajuda de Pedro se tornou ativa colaboradora na assistência aos necessitados.
Febe é a mensageira da Epístola de Paulo de Tarso aos Romanos.
Lídia em Filipos é a primeira mulher com suficiente coragem para transformar a própria casa em Santuário do Evangelho Nascente.
Lóide e Eunice, parentas de Timóteo, eram padrões morais da fé viva.
Diz-nos Emmanuel que mesmo que nenhuma dessas mulheres tivesse existido, bastaria lembrarmo-nos que quando o Criador do Universo buscou alguém para tutelar seu filho, o Mestre Jesus, buscou em um lar simples uma mulher humilde que ocultava a experiência dos sábios; era frágil como o lírio, mas tinha a resistência do diamante; era pobre entre os pobres, mas trazia em suas virtudes os tesouros do coração; desvalida entre os homens, grande perante Deus.
E sempre que nos lembrarmos da glória do Cristo nos lembremos de nossas próprias mães e nos curvemos ante a luz de Maria de Nazaré.
| LIVRO EM ESTUDO | Apostila de Estudos Evangelho de Lucas |
| LIVRO TEMA: | O SEGUNDO EVANGELHO OU ESPIRITISMO |
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