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Mediunidade

Diversidade dos Carismas - Hermínio C. Miranda

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Atualizado: 15/08/19

256 - CAPÍTULO XIX
O MÉDIUM EM AÇÃO
1. INTRODUÇÃO

Para o médium em potencial que sonha colher apenas rosas perfumadas, a carreira de médium atuante pode oferecer inesperados espinhos. É sempre bonito e parece fácil fazer acrobacias de ginástica olímpica, tocar bem um estudo ao piano, escrever um soneto perfeito. Para quem sabe, é realmente fácil fazê-la. Mas até conseguir que a coisa pareça fácil, são necessários um esforço muito grande e uma dedicação incansável.

A mediunidade tem o seu aspecto fascinante, sua aura de mistério e encantamento, porque o médium é aquela estranha e curiosa pessoa que “fala com os espíritos”, da mesma forma que poeta, segundo Bilac, é aquele que é “capaz de ouvir e entender estrelas”.

Muitos se deixam embevecer de tal maneira por esse fascínio, que colocam os médiuns em geral, e o 'seu' médium em particular, na categoria dos semideuses, considerando-os verdadeiros oráculos vivos, aos quais deve-se recorrer em qualquer situação.

E o pior é que são muitos os médiuns que se deixam enredar nessa atmosfera de adoração e se julgam mesmo seres à parte e acima do comum dos mortais.
A verdade, porém, é que, ao lado dos fascinados mediólatras (adoradores de médiuns), há uma assistência tão grande ou maior, para a qual o médium está sempre em julgamento.

Tudo o que ele faz ou diz, todas as informações que veicula são pesadas, medidas, comparadas, esmiuçadas.
Os espíritos responsáveis são os primeiros a recomendar que a produção mediúnica, venha de onde vier, seja qual for o médium, deve ser sempre examinada com atenção e criticada, para que os desajustados não se valham da mediunidade para contrabandear conceitos falsos e meias verdades.

Mas tudo isso tem de ser feito com apoio da lógica, no conhecimento das questões envolvidas e no bom senso. Tanto se perde com elogios o médium promissor, como aquele no qual se sufoca a mediunidade nascente pelo rigor exagerado da crítica injusta.

Ninguém deve eleger nenhum médium como uma espécie de guru, cujas palavras e informações são aceitas sumariamente, sem qualquer exame, análise ou meditação. Muitas pessoas, infelizmente, agem assim, e quando se põe em dúvida algum item da comunicação, retrucam logo:

“Não, não. Está tudo certo. Imagine, essa comunicação veio por intermédio de fulano!”.
Embora muito citado, Kardec parece ser escassamente conhecido em certas instituições, onde recomendações e advertências das obras básicas são desconhecidas, ou simplesmente ignoradas, mesmo por aqueles que dizem estudar sistematicamente os livros fundamentais da codificação. E convictos todos estão de se manterem sempre fiéis a esses ensinamentos.

Tenho tido, a respeito, algumas experiências pessoais. Falam-me alguns do entusiasmo com que leram o livro Diálogo com as sombras e declaram, com a maior convicção, que no grupo que dirigem ou de que participam são aplicados os mesmos preceitos que procurei resumir na referida obra. Se a controversa se prolonga um pouco mais, acabam percebendo que não é bem isso.

Ao contrário, há desvios bastante significativos em práticas formalmente condenáveis. Não creio que tais companheiros sejam insinceros, contudo, estão honestamente convencidos de que seguem sempre as melhores normas recomendadas pela doutrina, mas continuam impávidos, com as suas práticas pessoais, como que ritualísticas, seus modismos, sua maneira de considerar (ou desconsideram os médiuns e tudo como se não houvesse uma só palavra escrita acerca daquilo que estão fazendo.

Em algumas oportunidades nas quais ofereci críticas (solicitadas umas, e não solicitadas, outras) não posso dizer que tenha sido compreendido e acatado. Pelo contrário, vi-me em choque com inesperadas resistências da parte de dirigentes e responsáveis pelo trabalho.

Além de frustrante, a experiência me trouxe certa perplexidade, pois é sempre fácil identificar desvios doutrinários e perceber que o grupo está sendo envolvido por espíritos ardilosos, interessados na enxertia de doutrinas exóticas ou práticas perfeitamente dispensáveis, quando não francamente perniciosas.

Isto ocorre sempre que o médium passa à condição de guru, e somente o que vem através dele merece fé e deve ser posto em prática, a partir de certo ponto, começam a chegar 'ordens do alto' para fazer isto ou deixar de fazer aquilo. E começam a ocorrer 'sessões reservadas ' para uns poucos 'iniciados' de confiança, nas quais são tratadas questões e aspectos tidos por secretos.

Há médiuns (e seus admiradores) que gostam de manter os fenômenos envoltos numa aura de mistério e de magia. A essa altura, já não há dúvidas: o grupo está sobre o controle de espíritos interessados na demolição de um trabalho que, até então, possa ter sido construtivo, embora modesto.

A responsabilidade, nesses casos (mais comuns do que se poderia supor), é dos médiuns, claro, mas também dos que os cercam e que se deixam fascinar, quase sempre a troco de alguns elogios bem-colocados que acariciam vaidades ainda muito ativas. É fácil, a partir daí, organizar um grupinho de elite, à parte, perante o qual os espíritos manifestantes se identificam com nomes imponentes que “sob motivo algum, devem ser revelados aos demais”, a fim de ficarem mais à vontade.

Médiuns ambiciosos acabam encontrando espíritos semelhantes e se entendem muito bem, em prejuízo certo de todos, inclusive daqueles que parecem excessivamente vigilantes em relação ao trabalho alheio, mas pouco atentos ao próprio, desde que este lhes proporcione a quota desejada de prestígio e satisfação pessoal.

Em situações como essa, o crítico é inapelavelmente rejeitado, quando não considerado um pobre obsediado.
Buscar apoio em Kardec para tais atitudes é pura perda de tempo, pois não há mesmo. Quando em dúvida sobre qualquer aspecto de maior relevo, o Codificador não hesitou em consultar diferentes espíritos, através de diferentes médiuns - às vezes, mais de dez médiuns.

... Ele questiona os espíritos pelo que lhe dizem, sejam eles quais forem. Confessa, por exemplo, que somente aceitou a ideia da reencarnação após muita relutância e porque acabou convicto de que era uma realidade insofismável, lógica e necessária ao entendimento dos problemas básicos do espírito, lembramos, neste livro, a sua divergência com os espíritos quanto ao fenômeno de escrita direta, que, no seu entender, era uma realidade intelectual de mediunidade, mas que os espíritos insistiram em classificar como fenômeno de efeito físico.
Quer isso dizer que ele desconfiava de seus médiuns? Ou dos espíritos que o orientavam na elaboração da doutrina? Não e não. Quanto aos médiuns, se jamais fez questão alguma de promovê-los ou dar-lhes destaque especial, nunca, ao que se saiba, os submeteu a pressões e vexames.

Só se sabe quais médiuns colaboraram na codificação após uma pesquisa atenta e demorada. Apenas em Obras Póstumas, que reúne documentos não destinados, em princípio, à publicação, aparecem algumas identificações: Sra. e Srta. Baudin; Srta. Japhet; Sr. Roustan; Aline etc. Mais parecem, contudo, anotações para seu uso, mesmo porque as mensagens reunidas naquele livro são quase todas de caráter pessoal, por cuidarem basicamente de seus diálogos com o Espírito de Verdade e outros mentores da doutrina.

Acho que vale a pena ver isso de perto, dado que a informação é importante, no contexto sobre o qual estamos conversando.
 

Livro dos Médiuns

 LIVRO EM ESTUDO  DIVERSIDADE DE CARISMAS - H.C. MIRANDA
 LIVRO TEMA:  O LIVRO DOS MÉDIUNS