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Sabedoria do Evangelho

Carlos Torres Pastorino




Atualizado: 08/06/2024

 
Obra: Sabedoria do Evangelho – vol. 5
Prof. Carlos Torres Pastorino


19 - O BOM PASTOR  

João, 10:10-21  

10. "O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que elas tenham vida e a tenham abundante. 11. Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor aplica sua alma sobre as ovelhas. 12. O mercenário, não sendo pastor, de quem as ovelhas não são próprias, vê vir o lobo e deixa as ovelhas e foge, e o lobo as agarra e dispersa, 13. porque é mercenário e não interessam as ovelhas 14. Eu sou o Bom Pastor, conheço as minhas (ovelhas) e as minhas me conhecem, 15. assim como me conhece o Pai e eu conheço o Pai; e aplico minha alma sobre as ovelhas. 16. E tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; estas devo trazer, e ouvirão minha voz e haverá um rebanho, um pastor. 17. Por isso o Pai me ama, porque aplico minha alma para que de novo a recolha. 18. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a aplico. Tenho o poder de recolhê-la: esse mandamento recebi de meu Pai". 19. Por causa desses ensinos, houve de novo divergência entre os judeus. 20. Muitos deles diziam: "Ele tem obsessor e tresvaria, por que o escutais?" 21. Outros diziam: "Essas palavras não são de um obsedado; pode acaso um obsessor abrir os olhos aos cegos"? 

 
Sem intervalo, no resumo de João, passa-se à segunda aplicação da parábola, em que Jesus se diz "O Bom Pastor".  

A figura de pastor, com aplicação ao guia espiritual, já era comum no Antigo Testamento. É atribuída a YHWH "a rocha de Israel" por Moisés (Gên. 49:24); e o próprio YHWH verbera os pastores de Israel porque relapsos (Ez. 34:1-10) e diz que ele mesmo será o pastor de seu povo (Ez. 34:11-31), salientando que "suscitará sobre eles um só pastor, que as apascentará, meu servo amado (1). Ele as apascentará e servirá de pastor. Eu YHWH serei seu Elohim, e meu servo amado será príncipe entre eles" (2).  

(1) As traduções trazem "meu servo David". Ora, David reinou em Israel de 1055 a 1015 A.C., ao passo que Ezequiel escreveu essa profecia no cativeiro da Babilônia, com Oconias, em 592 A.C., isto é, mais de quatrocentos anos depois de David.  

A não ser que se queira aceitar que Jesus seio a reencarnação de David, o que parece contradizer os fatos, temos que admitir não se possa falar no futuro de uma personagem passado. Evidente, então, que nesse passo David é um substantivo comum, e como tal temos de traduzi-lo: "o amado".  

(2) Outros passos do A.T. em que "pastor" tem esse sentido de "guia' espiritual: Núm. 27:17; 1.º Reis 22:17; 2.º Crôn. 18:16; Judit, 11:15; Ecl. 12:11; Ecli. 18:13; Cânt. 1:7; Isaías, 13:20; 31:4; 38:12; 40:11; 44:28; (referindo-se a Ciro); 56.11; 63:11; Jeremias, 2:8; 3:15; 6:3; 10:21; 12:10; 17:16; 22:22; 23:1, 2, 4; 25:34-36; 31;10; 33:12; 43:12; 49:19; 50:6, 44; 51:23; Ezeq. 37:24; Amós, 1:2; Miq. 5:5; Nah. 3:18; Zac. 10:2, 3; 11:3, 5, 8, 16, 17; 18:17. No Novo Testamento. Mat. 9.36; 25:32: 26:31: Marc. 6.34: 14:27; 1.º Cor. 9; 7; Ef. 4:11; 1.º Pe. 2:25; 5:2, 4. E em João, 21:15-17, Jesus encarrega Pedro de cuidar de Seu "rebanho".  

Nesta segunda interpretação da parábola é dado um passo adiante. Salienta Jesus, de início, que o “ladrão" só vai ao rebanho para "roubar, matar e destruir", ao passo que Ele veio para vitalizá-las mais abundantemente (perissóm).  

E afirma: "eu sou o bom pastor": caracterizando-o pelo que faz: "aplica sua alma sobre as ovelhas”. Aqui afastamo-nos das traduções correntes que trazem: "dá a vida pelas ovelhas".  

Vejamos o original: ho poimên ho kalos tên psychén autoú títhêsin hypèr tõn probátôn; ora, títhêmi só tem contra si dídômi (dar) no papiro 45, numa emenda posterior do Sinaítico, em D e na versão latina e siríaca sinaítica; e títhêmi significa “depositar, colocar e aplicar" (como prefere o Prof. José Oiticica, "Os 7 Eu Sou”, 1958, pág. 7): tên psychên é a “alma”, o princípio espiritual vivificador; e hypér pode ser “em favor de", sem dúvida, mas o sentido principal é "sobre", e há razões para mantê-lo.  

Não devemos modificar, na tradução, o significado das palavras, sob pena de escapar-nos o sentido profundo que elas exprimem.  

Enquanto o mercenário foge e abandona as ovelhas ao ver o lobo, o pastor a elas se dedica, porque as ovelhas são de sua propriedade e ele as ama e as conhece uma a uma pelo nome. Mas outras há que não são deste aprisco e mister será reuni-las para que haja um só rebanho, um só pastor.  

Notemos que no original não há a cópula "e". Essa universalidade de “salvação" é assinalada por Paulo: "todos vós sois UM em Cristo" (Gál. 3:28): “há um só Espírito ... até que TODOS cheguemos" à perfeição (Ef. 4:4, 13).  

O vers. 8, ao invés das traduções vulgares que trazem: "tenho direito de dar minha vida e de reassumi-la" (coisa sem sentido) diz no original: “tenho o poder de aplicar minha alma e tenho o poder de recolhê-la”, também aqui concordando com a opinião do Prof. José Oiticica.  

Novas discussões (cfr. João, 7:43 e 9:16) causaram esse ensino, uns apontando Jesus como obsedado, outros não acreditando que um obsessor pudesse ter aberto os olhos a um cego de nascença.  

Examinemos, agora, a parte muito mais importante do ensino, que tem que entender-se penetrando em profundidade as palavras do rápido resumo que João nos legou.  

Analisemos segundo a interpretação dada, no capítulo anterior, aos termos utilizados. Estamos no plano a que denominamos "mais amplo".  

“O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir". Trata-se da personagem (a matéria, com seu peso; as sensações com seus gozos; as emoções com seus descontroles apaixonados; o intelecto com sua rebeldia analista e discursiva), também chamada "antagonista" (satanás) ou adversário (diabo) que pode mesmo considerar-se um "ladrão" da espiritualidade.  

Realmente a personagem "rouba, mata e destrói" tudo o que é espiritual, pois só vê e percebe as coisas da matéria e dos sentidos. O Cristo Cósmico, entretanto, penetra tudo e todos, dando-lhes Vida, e "age" para que essa Vida seja mais abundante e plena, mais rica e vibrante, do que a simples "vida" psíquica dos veículos inferiores.  

Então chega-nos a declaração enfática: "eu sou o BOM PASTOR", o que governa o conjunto das ovelhas, o que vive nelas e por elas, que delas cuida e as ama, que constitui a "alma grupo" de todo o rebanho, "a cabeça de todo o corpo" (cfr. 1.ª Cor. 11:3; Ef. 4:15 e 5:23; Col. 1:18 e 2:10).  

A esta segue-se a frase que foi modificada por não ter sido entendida: "'o bom pastor aplica sua alma sobre suas ovelhas", ou seja, o Cristo utiliza e aplica toda a Sua alma, a Sua força cristônica, sobre Suas criaturas, para fazê-las evoluir a fim de alcançá-Lo.  

Isso foi representado ao vivo com o cuspo misturado à terra, para ser colocado sobre os olhos do cego de nascença. O que também exprime que só através da encarnação, do mergulho na matéria, é que o ser pode trabalhar por sua evolução.  

Aqui entram mais dois elementos de comparação: o mercenário e o lobo. O "mercenário" é o intelecto, que "faz as vezes" de pastor, isto é, que em nome do pastor (Mente Crística) toma conta dos veículos inferiores.  

No entanto, sendo mercenário, não cuida como deve do tesouro que lhe foi confiado; é quando aparecem os lobos (as paixões desordenadas vorazes, insaciáveis, trazidas pelos instintos, pelos desejos, pelas necessidades). O mercenário "se retira", deixando campo aberto e livre às paixões, aos lobos.  

A frase é de sentido usual e corrente: perturbação dos sentidos, obliteração intelectual, a ira cega, e tantas outras expressões que demonstram que realmente nos grandes embates emocionais, os lobos paralisam o intelecto, amordaçam a acuidade de racionar, e o corpo e o psiquismo são estraçalhados pelos paroxismos passionais, agarrados e desorientados pelos rapaces devoradores, que roubam, matam e destroem.  

Assim age o intelecto "mercenário", porque as células não lhe pertencem e não lhe interessam, já que é simples coordenador, como governo central, substituto eventual e temporário da Mente.  

Além disso, julga-se a autoridade máxima e única que tem a capacidade de resolver seus problemas e os da personagem, pois chega até a ignorar a existência da Mente abstrata: ele vem "de baixo" (sobe), e a Mente é "de cima"; ele pertence ao Antissistema, a Mente ao sistema; ele representa o polo negativo, a Mente o positivo: ele é o chefe dos veículos inferiores, a Mente é espiritual.  

Daí, com frequência, recusar o intelecto a espiritualização e confessar-se materialista e ateu, só acreditando no que a ele chega através dos sentidos, e não da PORTA que é o Cristo.  

Já com o Cristo o caso difere fundamentalmente.  

Ele conhece uma a uma cada célula (cfr. Mat. 10:30; Luc. 12:7 e 21:18), porque de dentro de cada uma, embora também de fora (imanente e transcendente) a impele à evolução, ajudando-lhe a escalada ascensional.  

As células lhe pertencem, porque são condensação Sua, quando Se sacrificou, baixando Suas vibrações até o Antissistema, a fim de provocar-lhes a individuação que lhes forneça a diferenciação do Todo, para o aprendizado.  

O Cristo Interno, por isso, APLICA SUA ALMA sobre cada uma das células, e por isso as conhece plenamente, tanto quanto conhece o Pai e é conhecido pelo Pai; pois assim como Ele é UM com o Pai e o Pai UM com Ele, assim Ele é UM com as células e as células são UM com Ele.  

Como agora estamos considerando as células já evoluídas ao estágio hominal (na acepção do “plano mais amplo"), neste sentido o Cristo afirma também que conhece cada ser humano tanto quanto é conhecido pelo Pai e vice-versa, porque o Cristo é UM com cada uma de Suas criaturas, embora cada criatura ainda não saiba que é UM com Ele.  

E não o sabe porque se acha dissociada Dele pelo intelecto da personagem que, tendo vindo "de baixo", ainda é cega de nascença: o mercenário ainda não conhece o pastor verdadeiro e chega até ao cúmulo de negar Sua existência ...  

Acontece, porém, que na evolução do planeta Terra, onde foram reunidas todas as antigas células, hoje seres humanos, houve várias trocas de domicílio.  

A Terra recebeu, sabemo-lo, pela generosidade de seus Mentores, grande grupo de "espíritos" provenientes de Capela e outros planetas, que não pertencem a evolução terrena, assim como também muitos dos nativos da Terra estão estagiando em outros planetas ("Na casa de meu Pai há muitas moradas", João, 14:2). A quais se refere o Cristo?  

Aos que estão em outros planetas e que precisam ser trazidos para cá, a fim de formarem o conjunto com seus antigos companheiros? Os aos que estão aqui, mas "não são deste aprisco”, aos quais, porém, é mister unir aos deste, para que formem um todo?  

De qualquer forma - ou trazendo os de fora para cá, quando o planeta tiver evoluído para recebê-los, ou conquistando os estranhos que aqui estão - o fato é que deverá formar-se um só rebanho, uma só humanidade, um só pastor; da mesma forma que cada corpo possui um só Espírito, assim a humanidade possui uma só “alma grupo".  

Para reunir a todos, será utilizado o processo científico da sintonização de vibrações (“ouvir a voz", isto é, igualar a frequência vibratória do SOM).  

A ação do Cristo, embora constante ("Meu Pai age até agora, eu também ajo") João, 5:17) é sentida por nós intermitentemente, porque Ele tem "o poder de aplicar e o poder de recolher” Sua força cristônica, segundo Sua vontade, sem que por ninguém seja coagido.  

Realmente, em muitos momentos sentimos o "apelo" que nos ativa o desejo de encontrá-Lo. Daí a teoria da "graça", que não chega quando nós queremos, mas quando a vontade divina o determina, por ser o melhor momento para cada um de nós.  

Então, podemos interpretar a "graça" como uma atuação mais forte do Cristo Interno dentro de cada um, aplicando a vibração do SOM, "Sua alma", e buscando dar-nos a tônica, para que, de nossa parte, busquemos sintonizar com essa nota básica.  

A tônica é o AMOR, por isso o Pai vibra como Amante e o Cristo age como Amado (David), constituindo o “príncipe” entre todos. Essa é a ordem do Pai.  

O Cristo, portanto, é o bom pastor, o chefe de todo o rebanho que atualmente constitui a humanidade terrestre; conhece todas e cada uma de Suas ovelhas, e aplica Sua força a cada uma delas no momento mais oportuno; e quando elas começam a agir por si, recolhe essa força, a fim de permitir que elas trabalhem pessoalmente por sua própria evolução.  

Indispensável que aprendam a trabalhar sozinhas, assumindo a responsabilidade plena seus atos.  

No campo iniciático, o Cristo é o Bom Pastor, ou seja, o verdadeiro Hierofante e Rei, dentro de nós ("Um só é vosso Mestre, o Cristo", Mat., 23:10). As criaturas que agem em Seu nome, os intelectos personalísticos que se fazem passar por Mestre, são simples agentes que vêm "de baixo", mercenários e ladrões de almas, que roubam, matam e destroem tudo o que é verdadeiramente espiritual, para seu próprio proveito vaidoso, de terem sequazes que os endeusem.  

São numerosos e enganam a muitos só não chegando conquistar as ovelhas escolhidas, porque estas conhecem a "voz" do verdadeiro pastor, e não seguem estranhos. Os SONS que produzem são diferentes, fora da tônica do AMOR do Cristo.  

Os que são realmente emissários Seus, esses jamais falam em seus próprios nomes, não aceitam sequer o nome de mestres, sabem que nada sabem, e que tudo o que lhes vem, é proveniente do Cristo Interno que neles age.  

Não fazem seguidores, porque convidam apenas os homens e acompanhá-los no cortejo do Cristo, para onde todos caminham, uns mais à frente, outros mais à retaguarda, uns como "guias" do rebanho, com a campainha ao pescoço, outros colaborando, mas todos, simples ovelhas, do único rebanho do único pastor.  

O evangelista assinala, ainda uma vez, a divergência entre os religiosos ("judeus"): uns julgando obsedado aquele que transmite os ensinos do Cristo, outros, porém, "sentindo" em sua voz a doce tônica do AMOR, que faz os cegos verem, isto é, que ilumina os intelectos, e comove os corações, atraindo-os ao Cristo.  

Que a voz do Bom Pastor seja sempre o guia de nossos Espíritos, para que jamais percamos o rumo certo, para que não erremos pelas estradas ínvias, para que nos libertemos dos lobos vorazes, e só vivamos pelo AMOR e para o AMOR.  

 

Sabedoria do Evangelho

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